Violência no Rio provoca perda de R$ 657 mi no turismo

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A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou um novo levantamento afirmando que a criminalidade no Rio de Janeiro foi responsável pela queda de mais de 650 milhões de reais nas receitas fluminenses entre janeiro e agosto de 2017. Segundo estimativas da CNC, o fechamento de vagas no setor do turismo na cidade cresceu 50% entre os meses de janeiro e agosto deste ano, quadro agravado pela violência urbana e o ritmo ainda fraco da atividade econômica no país.

Embora fatores relacionados à conjuntura econômica ajudem a explicar a queda de atividade no turismo fluminense, o estudo aponta a contribuição negativa do aumento da criminalidade no Rio de Janeiro para a recuperação do setor, que responde por mais de 9,9% dos postos de trabalho formais do Estado e por aproximadamente 7% da economia.

Segundo estimativa da CNC, para cada aumento de 10% na criminalidade, a receita bruta das empresas que compõem a atividade turística do Estado recua, em média, 1,8%. A perda de receita relatada (R$ 657 milhões) impactou de forma mais significativa o segmento de bares e restaurantes (R$ 332,1 milhões), seguido pelas atividades de transportes, agências de viagens e locadoras de veículos (R$ 215,5 milhões), hotéis, pousadas e similares (R$ 97,7 milhões) e atividades culturais e de lazer (R$ 14,7 milhões). O montante é equivale ao faturamento de 8,9 dias do turismo local.

De janeiro a setembro de 2017, o saldo entre admissões e desligamentos nas atividades que compõem o setor resultou na perda acumulada de mais de 10 mil postos de trabalho com carteira assinada – um aumento de 50% em relação aos 6,8 mil postos fechados no mesmo período de 2016 –, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O chefe da Divisão Econômica da CNC, Fabio Bentes, destaca a tranquilidade que o setor turístico experimentou em julho e agosto de 2016, durante os Jogos Olímpicos, entretanto diz ser impossível não sentir o impacto da agravada situação econômica que o país se encontrava, justificando o desempenho negativo observado após o grande evento mundial. “A evolução desfavorável do mercado de trabalho brasileiro até o início de 2017 limitou a capacidade de consumo por parte dos turistas nacionais. As restrições impostas ao orçamento das famílias por conta da crise também levaram os consumidores a abrir mão de gastos com lazer. E, mesmo com a reação lenta do emprego e a queda da inflação nos últimos meses, ainda não vemos efeitos da retomada na demanda por serviços turísticos”, afirmou.

Para o hoteleiro e presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da CNC, Alexandre Sampaio, apesar dos dados levantados pela Confederação, algumas iniciativas podem ajudar na recuperação do segmento. “De modo geral, e principalmente no Rio de Janeiro, os governos devem fortalecer iniciativas de apoio à segurança pública, com a mobilização de todos os recursos disponíveis – forças auxiliares, inteligência estratégica, troca de informações entre as autoridades de diversos níveis, campanhas de mobilização social”, explicou.

Segundo Sampaio, o turismo precisa avançar em diferentes frentes se quiser se tornar um auxílio para a retomada da economia; A transformação da Embratur em agência e a liberação de cassinos são algumas das iniciativas para aumentar o ganho do Estado do Rio e, consequentemente, do país. “São iniciativas que não dependem de investimentos do poder público e podem gerar empregos, o que, sem dúvida, refletirá nos índices de criminalidade”, afirmou o presidente da Cetur.

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