Tendência: saiba quais são as profissões do futuro

As previsões sobre o futuro do trabalho não dizem respeito apenas a quem está prestes a entrar na universidade ou a quem acabou de concluir os estudos, mas também a quem já tem uma profissão.

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Engenheiros cada vez mais requisitados para cargos operacionais e menos de gestão e coordenação, ampliação do conceito de gerente e crescimento de profissões hoje pouco conhecidas, mas que serão cada vez mais solicitadas. Essas são apenas algumas das conclusões do Observatório Digital Mismatch (termo em inglês que define a disparidade entre as competências atuais e aquelas que são e serão cada vez mais requisitadas no mundo do trabalho), realizado pela startup italiana InTribe em colaboração com o grupo financeiro Nexi.

As previsões sobre o futuro do trabalho não dizem respeito apenas a quem está prestes a entrar na universidade ou a quem acabou de concluir os estudos, mas também, e sobretudo, a quem já tem uma profissão, e não necessariamente em cargos altos. O digital está mudando e nós, talvez, não estejamos acompanhando. Ou melhor, não entendemos perfeitamente quais são as tendências e o quanto palavras como “educação continuada” e Mooc (curso online aberto e massivo) devem entrar em nossa bagagem de competências.

“Para dizer a verdade”, explica Mirna Pacchetti, CEO e cofundadora da InTribe, “o fenômeno do digital mismatch não é novo. Se é verdade que as empresas buscam cada vez mais profissionais especialistas nos campos tecnológico e digital, que dificilmente são encontrados pela falta de competências específicas, essa disparidade aparece sempre que há um impulso tecnológico grande. Tornou-se preponderante em 2012, quando tal aceleração teve um forte impacto no mundo das novas tecnologias de informação e comunicação, logo depois no marketing, com as redes sociais, e, desde 2015, é dominante e diz respeito a qualquer tipo de profissão”.

É por isso que, mais do que falar de crise, segundo a InTribe, o melhor é falar de “novo mercado”: “Diz respeito ao médico, que deverá saber utilizar um braço robótico, assim como a quem trabalha em uma loja tradicional. Mas também a quem conserta bicicletas e terá instrumentos novos, e ao encanador, que deverá saber utilizar novas tecnologias para continuar a desempenhar seu trabalho. E ao eletricista. As tecnologias dizem respeito a todos. Ao mesmo tempo, há uma redescoberta de saberes antigos, mas de maneiras diversas. Basta pensar nos agricultores que seguem as pastagens por meio das tecnologias digitais”, explica Mirna.

O impacto global de tudo isso pode ser, para a Itália, de cerca de 2 milhões de postos livres em três anos – a estimativa da InTribe, neste caso, tem como base dados do Cedefop, o centro europeu para o desenvolvimento e a formação profissional – se não houver investimento na formação. E, para os que se perguntam por que essa disparidade é mais profunda nos dias de hoje, a resposta é simples: “Nos últimos 20 anos, houve uma aceleração comparável aos 400 anos precedentes, que se agravou nos últimos 5.” E isso diz muito respeito às profissões “que, até o fim da década de 1990, evoluíram a cada duas gerações, e agora dentro de alguns anos”.

Um outro aspecto interessante é que haverá uma forte disparidade entre as altas e as baixas competências. “As novas tecnologias deverão ser cada vez mais utilizadas. Para dar um exemplo imediato, haverá cada vez menos lugar para operários simples, mas sempre mais para mecatrônicos. As previsões que formulamos mostram como haverá um incremento geral das oportunidades de trabalho para quem tem competências de alto nível, e uma diminuição para quem tem as mais baixas”, explica a CEO.

Algumas exceções são os gestores e os profissionais intelectuais-científicos, como os engenheiros. “Até alguns anos atrás, o gestor era apenas o dirigente. Agora, é também quem tem a responsabilidade de um cargo e que tem tudo em suas mãos, que talvez tenha competências intermediárias, mas que tenha uma ou mais pessoas para gerir. Se você for o único gerente de projetos de uma empresa, será também um gestor, mesmo que não tenha competências altíssimas”, relata Mirna.

Em relação aos engenheiros, por exemplo, Mirna estima uma queda nos cargos altos, ou seja, eles serão “menos requisitados para cargos de coordenação e mais requisitados para para cargos operacionais”. Será cada vez mais forte a tendência de engenheiros que fazem o papel de programadores – talvez de inteligência artificial. No setor intelectual-científico, há e haverá, entre 2015 e 2025, uma queda de 8% de cargos para quem tem altas competências e, em contrapartida, um aumento de vagas, de 14%, para profissionais técnicos intermediários com altas competências no campo intelectual-científico. Assiste-se, então, a um reequilíbrio: parte dessas profissões com altas competências no campo intelectual-científico “se deslocam” para as profissões técnicas intermediárias. É o caso dos engenheiros, “mas não apenas deles: essa tendência diz respeito também a especialistas nas ciências, da educação, nas áreas jurídicas e administrativas, bem como tecnologia da informação”, completa.

Levando em consideração essas conclusões, o que um trabalhador deve fazer para permanecer no mercado? “A solução é apostar na formação permanente, independentemente de a empresa bancá-la ou não. Porque, se há empresas como a Cisco, que criou uma área para lutar contra a disparidade de competências, normalmente não é assim”, explica Mirna. “Portanto, formar-se é a chave, para todas as idades e em todos os cargos.”

As empresas, por sua vez, devem apostar “na inovação (onde as startups representam forte concorrência) e nos profissionais com as competências certas, sem se limitar, porém, a contratar apenas pessoas de fora. Se uma empresa apostar nessas últimas, mas o contexto não for maduro, o que acontecerá é que elas permanecerão por pouco tempo. O desafio também é grande para o setor de recursos humanos, que não deve apenas encontrar o talento, mas fazer conviver o novo e o consolidado e favorecer a chegada de novas tecnologias em harmonia com aquelas existentes”, comenta a CEO.

A InTribe, que utiliza big data, redes sociais e aplicativos para desenvolver suas investigações sociais, preditivas e de tendência, indicou ainda quais serão as três profissões com as maiores oportunidades de crescimento nos próximos 12/24 meses. Haverá muitas oportunidades de trabalho para os responsáveis por segurança empresarial – isto é, aqueles que protegem o patrimônio empresarial de invasões e hackers -, assim como para analistas de dados e growth hacker, profissionais que se ocupam do crescimento por meio de técnicas de marketing de experiências.

Entre as novas profissões que devem ganhar força estão as de especialistas em computação ubíqua (profissionais que, por meio de tecnologias e acessórios sempre mais integrados ao corpo humano, desenvolvem objetos conectados em rede, que interagem com as pessoas e outros objetos), de agricultores verticais, sempre mais requisitado por causa da escassez de campos de cultivo e da necessidade de isolar melhor os edifícios, e de especialistas em genoma, que se ocupam de criar mapas genéticos e físicos do DNA dos organismos vivos para identificar genes e informações.

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