Second Home, o local de trabalho do século XXI

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DIANA QUINTELA /GLOBAL IMAGENS

Mercado da Ribeira, em Lisboa, é a nova casa do Second Home, um sítio para a criatividade, as novas ideias e os novos projetos de negócio

Um mar de plantas, vasos de todos os tamanhos, e muito verde a perder a de vista. A primeira impressão é a de se estar num viveiro, mas provavelmente é essa a palavra certa para descrever o Second Home, que desde segunda-feira está a funcionar no primeiro andar do Mercado da Ribeira, em Lisboa.

Olhando com atenção, veem-se as pessoas no meio de todos aqueles vasos enfileirados sobre as mesas – “são mais de mil plantas, e temos uma equipa de jardineiros a tratar delas”, diz com um sorriso Rohan Silva, o jovem criador do Second Home. Muitos estão de auscultadores, absorvidos nos seus ecrãs, outros estão ao telemóvel, aqui e ali conversa-se. O ambiente é tranquilo, informal, e é suposto que seja inspirador e gerador de novas ideias, projetos e negócios. Talvez nasçam ali alguns dos estilos e tendências do futuro, o que não espantaria o inventor desta “casa” que aposta na inovação.

“Isto não é um mero espaço de co-work”, sublinha Rohan Silva, que nos últimos dois meses quase não arredou pé do Mercado da Ribeira. “Aqui juntamos uma diversidade de empresas criativas de áreas muito diferentes”, explica o jovem britânico que durante sete anos foi assessor de James Cameron para as políticas públicas, e que em 2013 decidiu sair de Downing Street para criar em Londres o seu próprio projeto. Foi assim que nasceu, em 2014, o Second Home, um local de trabalho diferente, que é a um tempo o lugar de cada um, e um espaço coletivo gerador de contactos, um viveiro de ideias e novos projetos, onde não faltam os programas culturais, as atividades desportivas e o convívio, que são, afinal, oportunidades de interação e relacionamento.

Aberto 24 horas por dia

“O objetivo é juntar empresas de áreas muito diferentes, da moda ao design, da escrita, do cinema, empresas de caráter social ou financeiras, de distribuição de refeições, ou comunicação digital, para que aqui possam nascer novos projetos”, diz o jovem britânico.

E porquê Lisboa? A resposta vem imediata. “Lisboa é neste momento uma cidade muito criativa, com uma enorme diversidade de indústrias e atividades, era o lugar certo para o segundo Second Home, e este espaço no Mercado da Ribeira é fantástico”.

O fotógrafo Nuno Patrício e o designer Gonçalo Costa, que há dois anos criaram em Sobral de Monte Agraço a empresa Alfazema para fazer fotografia de casamentos, mudaram-se para ali, logo no primeiro dia. “Onde estávamos, se calhar passavam-se meses sem que nos batessem à porta, e só nos últimos três dias já fizemos uma série de novos contactos, é fabuloso”, conta Nuno Patrício. Gonçalo Costa concorda: “Podemos enriquecer a diversidade deste ecossistema, há projetos que podem nascer aqui”.

Rodrigo Costa, gestor da agência digital Monday é da mesma opinião e por isso decidiu, com o seu sócio, mudar a empresa das anteriores instalações, nas Amoreiras, para ali: 18 funcionários e respetivos portáteis, pastas de arquivo só as da contabilidade. “Conseguimos expor aqui a nossa equipa a outras influências e ideias”, explica Rodrigo. “Chegámos há três dias e já temos duas reuniões marcadas para a próxima semana com outras empresas de cá”, resume, satisfeito.

Também a brasileira Anna Arenny espera que a aplicação Levoo, para distribuição de refeições, que a sua empresa desenvolveu e pôs no mercado há dois meses, beneficie do “networking” que o espaço propicia. “E há todas as outras atividades. Ontem estive na aula de ioga, foi fantástico”, diz.

Ter um espaço de trabalho no Second Home do Mercado da Ribeira custa 150 euros mensais no mínimo, o que dá acesso a tudo 24 horas por dia, incluindo wi-fi de alta velocidade e todas as atividades culturais e desportivas. Um clube de vinhos, com provas e tudo, será uma dessas atividades. Essa foi uma ideia da americana Catherine Fisher, que se instalou no Second Home do Mercado da Ribeira com a sua empresa Glug, que faz consultoria de vinhos para os Estados Unidos. “Vou dinamizar o clube de vinhos, é uma coisa que faço por gosto”, garante.

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