Sanovicz analisa Turismo na era das “empresas sem dono”

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Acostumado a empresas com dono, em que esses proprietários viraram referência na indústria ao construírem verdadeiros impérios e são figuras próximas do mercado, o Turismo brasileiro começa a conviver com “empresas sem dono”. Caso do Grupo CVC, com ações pulverizadas na bolsa, cujo maior acionista, Guilherme Paulus, tem menos de 8% do total de ações. A primeira consolidadora a entrar nessa nova era é a Rextur Advance, que pertence 100% ao Grupo CVC, depois de uma trajetória em que seus donos (Goiaci Guimarães e Marcelo Sanovicz) foram e continuam sendo referência.

Ontem, Sanovicz anunciou oficialmente ao mercado que lidera um processo de transição na Rextur Advance para criar uma nova equipe de gestão, que já incluiu a saída de figuras importantes na história da empresa, como o próprio Goiaci (já na fusão Rextur e Advance, deixando o dia a dia executivo), André Freller (criador do Reserva Fácil, que continua consultor) e Mauro Levinbook (que passa o bastão a Flávio Marques em 1º de janeiro e que também continuará como consultor).

E como é que o mercado vai se relacionar não apenas com essas “novas” caras (Flávio Ayra, no Reserva Fácil, e Flávio Marques em Vendas), mas também com uma empresa “sem dono”, já que a consolidadora não é mais de Sanovicz ou Guimarães?Para Marcelo Sanovicz, o mercado vai absorver bem essa transição, que é algo que veio para ficar na indústria.

“Os tempos são outros e mais uma vez estamos inovando. Fomos os primeiros a integrar operações e fundir as empresas, os primeiros a lançar um sistema inovador, os primeiros a vender hotel na consolidação, os primeiros a vender para um grande grupo e agora os primeiros a trabalhar nessa nova modalidade, em que fazemos parte de um grupo com ações na bolsa. Quem são os principais players, em volume de vendas, do Turismo brasileiro? CVC e Decolar.com. Ambas empresas com capital aberto. Essa é a tendência”, disse ele ao Portal PANROTAS.

Essa “despersonalização” das empresas no topo da pirâmide, segundo Sanovicz, funciona pois há toda uma companhia pronta e funcionando muito bem embaixo. “A relação importante hoje é dos 80 executivos de vendas com os agentes de viagens e dos atendentes ao resolverem qualquer problema. Falar com o dono, na Rextur Advance não é mais importante”.

O vice-presidente de Operações, Marketing e Tecnologia, Luciano Guimarães, complementa: “o agente de viagens não quer falar com o dono, mas ele precisa. Aqui na Rextur Advance não há essa necessidade, pois temos um time de 600 pessoas que resolvem e tudo o que é combinado, com clientes e fornecedores, acontece de forma clara, transparente e estruturada”.

Para Marcelo Sanovicz, parafraseando Mauro Levinbook, a junção de “gente do negócio com profissionais de negócio” fez a Rextur Advance amadurecer. Ele se refere à relação entre os profissionais do Turismo, como ele e seus diretores, com os que vieram de fora do Turismo. “Somos um ponto fora da curva no setor de aquisições, pois em 80% das vezes a relação dos fundos de investimento com os donos das empresas compradas não dá certo. Nós somos resilientes, adaptáveis e nos integramos ao novo esquema profissional e de governança que o setor e um grupo do porte da CVC exige”, analisa. Segundo ele, um executivo de fora traz soluções que facilitam a vida de todos os departamentos e um aprende com o outro. “E essa transição que estamos vivendo é para isso. Trazer sempre gente melhor e uma melhor gestão, tendo o cliente da Rextur Advance como foco principal”.

A independência de administração em relação à CVC também é algo importante para esse sucesso. “Temos uma reunião mensal para avaliarmos resultados e a melhor relação possível. Sempre foi tranquila, desde o começo. E os resultados, graças a esse time, estão e sempre estiveram muito bons”, relata Marcelo Sanovicz. “Queremos deixar para a nova geração esse legado de inovação e de excelência em gestão e atendimento”, finaliza o CEO da Rextur Advance.

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