Recife: a nova capital brasileira da cerveja artesanal

Entenda como os novos mestres cervejeiros mudaram o mercado e o consumo na cidade

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Se no Recife, durante o Carnaval, a bebida oficial é o latão de cerveja gelado, no resto do ano o cenário muda. Nos últimos três anos, a cerveja artesanal conquistou o público apreciador da bebida, e o número de produtores e consumidores só faz crescer. É pensando nessa nova forma de degustar a capital pernambucana que levamos você a um novo rolê pela terra do frevo, em parceira com #hellocidades, projeto da Motorola que incentiva a redescoberta das cidades brasileiras.

Em setembro de 2017, Recife ganhou a primeira consultoria do país especializada no mercado cervejeiro, a Dimer & Fialho Consulting. Encabeçada pelos sócios Luciano Fialho, Ilceu Dimer e Jadir Rocha, a nova empresa made in Pernambuco tem o plano de tornar o estado um polo de cervejaria artesanal para atender as regiões Norte-Nordeste, além de prestar consultoria a outros empreendedores do país interessados em dar um upgrade na microcervejaria ou abrir novo negócio no segmento.

“Escolhemos o Recife porque vemos a necessidade de crescimento das artesanais no Nordeste, principalmente quando comparado com as regiões Sul e Sudeste. Acreditamos que Pernambuco tem todas as condições de potencializar esse crescimento de forma mais sustentada”, revela o sócio Luciano Fialho, que é mestre cervejeiro, formado pela Université Catholique de Louvain, na Bélgica, há 21 anos.

Jadir Rocha, Luciano Fialho e Ilceu Dimer prestam consultoria especializada para novas marcas de cerveja no Recife (Sol Pulquério/Divulgação)

Partindo desse pressuposto, ele e os sócios estão agora intermediando negociações para a instalação de fábricas e centros de distribuição de fornecedores de matéria-prima e insumos. A empresa também funciona como intermediadora para negociar preços mais atrativos para os produtores locais.

“Quem nos procura são os donos de cervejaria artesanal, para otimizar processos, receitas e procedimentos, bem como pessoas interessadas em montar uma fábrica. Fazemos todo o projeto e entregamos ‘a chave’. Estamos em contato, também, com órgãos governamentais, que nos procuram para representar o setor, e com institutos de educação e fornecedores de equipamentos e matérias-primas para fazermos parcerias. Tentamos ligar todos os stakeholders do segmento, não só em Pernambuco, mas em todo o país”, explica Fialho.

Até o fim de 2017, a expectativa do setor é que o número de cervejarias artesanais chegue a pelo menos 700 em todo o país, segundo o Instituto da Cerveja. Em Pernambuco, atualmente, nove cervejarias artesanais produzem e comercializam seus rótulos pelo estado. E o número de fabricantes caseiros é ainda maior: a estimativa é que existam, hoje, entre 30 mil a 50 mil só nas regiões Norte e Nordeste.

O crescimento pode ser visto, também, no público, que aprova a movimentação da cena. O advogado Leonardo Cabral, 30 anos, é um entusiasta dos rótulos artesanais. “Hoje, no Recife, podemos diversificar: várias cervejas locais em uma única noite e em um só bar, o que só acrescenta positivamente à experiência do consumidor. Recife é um ótimo lugar para tomar cervejas artesanais em todas as suas extremidades”, avalia.

“Eu gosto de provar cervejas diferentes, e a quantidade de rótulos tem aumentado muito, sempre tem uma nova para provar. Recife tem várias cervejarias, inclusive, com algumas cervejas premiadas. Além disso, com o crescimento, está cada vez mais fácil encontrar cervejas artesanais nos cardápios de bares e restaurantes da cidade, para além dos estabelecimentos especializados no produto”, comemora a servidora pública Carolina Medeiros, de 36 anos.

Sommelière de cerveja

Além de consultorias e da aprovação entusiasmada dos apreciadores de cerveja, o crescimento do mercado cervejeiro na capital pernambucana traz, também, novas oportunidades profissionais que vão além da produção e comercialização de cervejas. Clarice Melo, 36 anos, era professora de línguas, quando foi fisgada pelo universo cervejeiro. Hoje, ela é sommelière (feminino de sommelier, em francês) de cerveja, profissional que atua em cervejarias participando do controle de qualidade, fazendo análise sensorial, consultoria de harmonização e cartas de cervejas, e divulgando a cultura cervejeira.

Clarice Melo é especializada em apreciação e controle de qualidade de cerveja (Clarice Melo/Acervo pessoal/Divulgação)

Para ingressar na nova carreira, ela fez o curso de Tecnologia Cervejeira avançado, no Senai. Depois, fez ainda a formação profissional de Sommelier de Cervejas do Instituto da Cerveja Brasil (ICB). Ela conta que seu primeiro emprego na área foi em um pub. Depois, já foi logo compor o time de uma cervejaria.

“A cena cervejeira em Recife está passando por um processo de crescimento bem estimulante. Muita gente empolgada abrindo novos negócios, principalmente cervejarias, mas ainda há muito espaço para conquistar novos adeptos. Algumas pessoas fora da cena cervejeira começaram a ouvir falar da tal cerveja artesanal, mas ainda não experimentaram. Outras ainda não sabem sobre tantas variedades, então há um trabalho de educação do público a ser feito. O mercado ainda vai mudar bastante e também tem muito o que amadurecer e se profissionalizar”, avalia.

Para quem quer investir na área, a sommelière indica a leitura de títulos especializados e cursos. “No Recife, temos uma nova escola voltada para a educação cervejeira, o Instituto Ceres, que oferece cursos de produção caseira, introdução ao universo da cerveja, análise sensorial, e deve vir com novidades em 2018”, dá a dica.

Quando for degustar novos rótulos com os amigos no happy hour ou se resolver começar a produzir seu próprio rótulo artesanal em casa, registre o momento com a tag #hellocidades. Saiba mais sobre tudo o que está acontecendo no Recife em hellomoto.com.br.

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