Queria muito amamentar… todas as mulheres tem leite?

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Eu sempre quis amamentar desde que engravidei. Achava, e acho, que a amamentação é o momento mágico onde mãe e bebê se encontram, se amam, nutrem-se, reciprocamente.

A mãe acolhe seu filho com o seu corpo e a sua disponibilidade física, espiritual e energética e oferece ao bebê a base segura para a construção da sua autoestima e do seu estar no mundo… Li vários livros sobre o assunto e pensei que sabia tudo… mas, não era bem assim! A teoria sem prática não vale muito e quando nasceu minha filha descobri que não sabia absolutamente nada sobre o assunto! Como diz, meu mestre, Swami Sivananda: melhor uma grama de prática que toneladas de teoria!

A amamentação é uma arte e como todas elas, precisam de duas coisas: um bom mestre e muita dedicação. Estava sem mestre, minha mãe, uma verdadeira mama italiana, me criou com infinito amor e carinho, comida feita em casa, casacos feitos à mão! Tão fiel que ficou ao meu lado no momento do parto; até a quarentena. Nós somos filhos de uma cultura da distância, uma grande parte da minha geração, na Europa, não foi amamentada; nasci no fim dos anos setenta, no momento do boom econômico, onde as grandes marcas de leite em pó  convenceram os médicos, que a sua vez convenceram as mães,  que o leite artificial  era melhor do leite materno! Assim sem mestre, estava só, com muita dedicação…. mas não foi suficiente. Depois do nascimento da minha filha, recebei alta do hospital com os médicos e as enfermeiras falando que tudo estava certo e estava amamentando bem. Mas algo não estava dando certo: nos dias seguintes, Jada não molhava as fraldas, chorava muito e estava visivelmente perdendo peso. Estava super abatida, totalmente sem forças, depois de doze horas de trabalho de parto e da anemia na gestação, me sentia um fracasso fisica e emocionalmente, sem saber o que fazer, sem capacidade de nutrir e de cuidar da minha filha!

Mas uma coisa sabia, não queria dar leite artificial, especialmente depois ter lido a composição dos leites e os efeitos à longo prazo. Queria deixar o leite artificial, como ultima opção,  também porque sabia que começar usando complemento significa estragar a amamentação no peito.  De uma outra coisa eu estava certa: todos as mulheres tem leite! Tinha certeza que isso era verdadeiro, não só porque acreditava nos livros que tinha lido, mas porque acredito na sabedoria da natureza  e na perfeita manifestação divina, que é o corpo da mulher. Mas nunca na minha vida me senti tão frágil, sem força de reagir. Liguei para o pediatra n. 1, ou seja, a minha primeira escolha depois do parto (que logo depois troquei para um pediatra homeopata), um médico reconhecido e famoso em Porto Alegre. Sem me conhecer e nada saber sobre mim e minha filha, me disse, ao telefone, as seguintes palavras: “ Você não tem leite, tua filha não esta sendo alimentada, compra  o complemento, marca Nan”.

Me senti ainda pior e não parava de chorar! Mas os anjinhos chegaram me indicando o caminho: um amigo de meu marido, pediatra homeopata, de São Paulo, me ligou e sugeriu de esperar mais um tempinho antes de comprar o Nan. E que tomasse algumas gotinhas homeopáticas e um chá especial, mãe e bebê, do laboratório Weleda. Assim fiz e já comecei a me sentir melhor, também a moça da farmácia me deu uma força com palavras carinhosas! Neste mesmo dia, uma querida aluna de yoga, me enviou o cartão de visita de uma consultora de amamentação. Imediatamente liguei chorando e explicando a situação; ela me atendeu na hora: foi o melhor dinheiro gasto na minha vida!

Ela chegou e eu estava amamentando na sala, com os meus pais ao lado, no sofá, com a TV ligada. Ela sugeriu para subir em um quarto e de ficar só nós: para amamentar é preciso um ambiente tranquilo e intimista, foram suas sábias palavras. Preparou-se, lavando as mãos e colocando um uniforme e, com um jeito delicado e amoroso, tocou a Jada e o meu seio e me ajudou a entender o que estava acontecendo: a pega não estava boa, a Jada não estava conseguindo beber o leite que estava sendo armazenado no alto do seio. Me explicou como funciona a amamentação, a sucção, a pega, como massagear o peito, como extrair o leite …. mas a coisa mais importante de todas foi que ela acreditou em mim e na minha capacidade de amamentar, quando ninguém no meu redor – nem eu – estava mais acreditando. Para mim foi receber uma injeção de  confiança, de autoestima, de paz e tranquilidade. Isso foi a grande mudança: acreditar em mim e na minha capacidade de nutrir minha filha.

Foi assim que quebrei o karma da minha família – nem minha mãe e minha irmã  conseguiram amamentar – quebrei o paradigma e fui contra a corrente quando tudo mundo, ao meu redor, me olhava torto sugerindo “o complemento faz tão bem”. Até hoje  continuo amamentado. Jada, já fiz um aninho e  é o retrato da saúde! Infelizmente as mulheres são  pressionadas e ficam muito sozinhas nos dias seguinte ao parto e a amamentação continua sendo, hoje, uma arte pouco praticada e pouco incentivada pelos profissionais da saúde. As consultoras de amamentação são figuras ainda pouco conhecidas e os pediatras continuam a indicar com extrema facilidade (e superficialidade) o famoso complemento (suspeita também a indicação da marca, da mais famosa multinacional de leite em pó) sem ouvir a mulheres, sem acolher suas fragilidades e as dúvidas que as mães, de primeira viagem, tem depois do parto e sem dar chance da mulher resgatar a sua possibilidade de amamentar!

É um absurdo que, em pleno 2017,  ainda seja comum a idéia de que amamentar é uma questão de sorte: tem mulheres fortunadas que tem leite e outras que não. Não é assim! Estou escrevendo este artigo para demonstrar que cada mulher que ganha um bebê tem este poder, com uma boa orientação e autoconfiança todas podem amamentar! E não existe coisa melhor que olhar a felicidade e a beatitude no rostinho de teu filho quando mama e quando logo depois cai feliz e satisfeito no sono dos anjos …. . Sim, tudo que passei valeu a pena!

PS: Qual é a tua experiência de amamentação? Compartilha este post com as tuas amigas interessadas no assunto e partilha conosco a tua experiência!

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