Quem tem mais de 50 anos e vive em Lisboa sente-se mais feliz

0
244

Seniores portugueses têm as habilitações mais baixas da Europa e são os mais deprimidos. Os da capital são exceção

Rostos alegres, roupa descontraída, de ténis, Eduardo e Fernanda, esperam as duas netas que hão de chegar daí a instantes na carrinha da escola. Um compromisso diário e que os impede de terem mais atividades. Mas não dispensam as caminhadas matinais e as leituras diárias, o que os ajuda a sentirem-se felizes e ativos nos seus mais de 70 anos. E doenças? “Nada, nem dores, nem colesteróis, nada dessas coisas”, responde Fernanda.
O casal vive na avenida de Roma, em Lisboa, e corresponde ao perfil positivo de curso de vida, da sociabilidade e do envelhecimento ativo, bem como estado de saúde, e que está mais próximo da realidade sueca. Conclusões do estudo “Envelhecimento em Lisboa, Portugal e Europa – uma perspetiva comparada”, realizado pelo Instituto do Envelhecimento (IE).
Inquiriram a população com 50 e mais anos através do inquérito europeu SHARE – Survey of Health, de Portugal e, em particular a de Lisboa. “Os seniores portugueses apresentam, em geral, perfis inferiores à média europeia, significativamente abaixo da Suécia, mas próximos da Espanha e, frequentemente, acima da República Checa”. Lisboa tem melhores resultados.
Manuel Villaverde Cabral, diretor do IE e um dos autores do estudo, salienta: “Apesar de Lisboa ter uma população muito envelhecida, maioritariamente feminina, apresenta um nível de satisfação superior ao resto do País, o que se explica por todo um percurso de vida de melhor qualidade, a começar pela educação.” E a educação condiciona o tipo de profissão e o nível de rendimentos, o que se reflete numa maior satisfação perante a vida e, até, do estado de saúde.
Eduardo Real, 80 anos, estudou até ao 9.º ano, “antigo 5,º ano”, sublinha, e teve uma empresa de publicidade. Fernanda Real, 72, tirou o 11.º ano e foi topógrafa. “Ainda fiz a admissão à faculdade, depois resolvi empregar-me”. Ela reformou-se aos 60 anos para tomar conta da mãe. “Morreu com 98 e a minha médica diz que vou pelo mesmo caminho”. Ele deixou de trabalhar há quatro anos. Consideram-se ativos e recusam-se a ficar em casa, menos ainda aos fins de semana quando a caminhada só acaba no Parque das Nações, 7 Km desde a avenida de Roma.
Uma das causas para uma tal satisfação, segundo os investigadores, são as habilitações. E em Portugal, em geral, “o nível de escolaridade dos inquiridos portugueses é decididamente o mais baixo da Europa, de acordo com as estatísticas internacionais, e comanda uma vasta série de características sociogeográficas, atitudes e comportamentos que afetam negativamente a condição da população sénior, desde o início dos seus cursos de vida até ao estado de saúde subjetivo e à satisfação com a vida revelados pelos inquiridos”. Uma realidade que tenderá a modificar-se com a renovação das gerações, “que trará consigo uma melhoria da literacia em geral, o que não deixará de se repercutir de forma positiva na condição idosa”.
Temos, também, os piores resultados a nível da saúde mental, apresentando 36% da população sénior sintomas de depressão, seguidos de fadiga, dificuldade de dormir, pessimismo, etc. Em consonância com isso, há mais inquiridos em Portugal, bem como em Espanha, a receber cuidados médicos e psiquiátricos do que a média europeia. “Trata-se de um traço singular de natureza psicossociológica que está ligado às funções cognitivas, bem como às competências de leitura e escrita avaliadas pelos próprios inquiridos, as quais remetem para os baixos níveis de literacia predominantes em Portugal”, diz o estudo. Um dos reflexos “é o consumo de medicamentos claramente mais elevado no País do que nos países analisados”

fonte: dn.pt

Booking.com

Deixe uma resposta