Pôr um toldo no Coliseu de Verona é como tirar o tecto ao Panteão de Roma ou é o futuro?

Autarquia quer uma cobertura móvel para o anfiteatro e já tem um projecto de 13,5 milhões. Opiniões dividem-se e o Estado ainda não avaliou a proposta.

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O anfiteatro romano de Verona (La Arena, para os habitantes da cidade que Shakespeare associou indelevelmente a Romeu e Julieta) pode vir a ter uma cobertura que permitirá fechá-lo e usá-lo em quaisquer condições atmosféricas. O toldo de 12 mil metros quadrados, que reconfigurará o segundo mais conhecido anfiteatro do mundo para o tempo de chuva, custará 13,5 milhões. O projecto ainda vai ser discutido numa “mesa redonda” da autarquia com o Ministério dos Bens Culturais italianos e a delegação regional do património, mas já está a ser tão elogiado quanto criticado.

“Cobrir a Arena, um monumento que nasceu descoberto, é como querer tirar o tecto ao Panteão de Roma”, criticou já o arquitecto suíço Mario Botta, citado pelo diário espanhol ABC. Outro arquitecto, o italiano Massimiliano Fuksas, vê o lado prático de aumentar o potencial de “aproveitar o espaço no Inverno”.

O presidente da Câmara de Verona decidiu há meses abrir um concurso público de ideias não só para tornar o espaço – que é usado há mais de um século para espectáculos e alberga anualmente o célebre Festival Lirico Areniano, ou o Arena di Verona Opera Festival – mais impermeável a cancelamentos como também para o proteger – a água “infiltra-se na estrutura e causa danos, basta ver o que aconteceu em Pompeia”, argumentou o autarca Flavio Tosi. A Arena é um monumento romano em óptimo estado de conservação, datado da década de 30 do século I, e descrito como o segundo coliseu mais conhecido a seguir ao de Roma .

O projecto vencedor, da alemã Schlaich Bergermann (engenharia) e do atelier Gerkan Marg (arquitectura), estará pronto dentro de três anos e tem um patrocinador que usa regularmente a Arena de Verona para eventos próprios – a marca italiana de lingerie Calzedonia.

Foram apresentadas 84 propostas e no anúncio da vencedora, que recebeu um prémio de 40 mil euros, o autarca Flavio Tosi antecipava já a intervenção, prevista na lei, da tutelas regionais e nacional. “Irá iniciar-se imediatamente o processo” de debate com o ministério e o órgão regional dele dependente que fiscaliza o património, disse então. Segundo o autarca, o ministro Dario Franceschini está a par do projecto e até agora tem tido o que descreveu como uma “atitude pragmática”, cita o diário La Repubblica. Um deputado italiano de centro-esquerda, Vincenzo D’Arienzo, classificou, por seu turno, a ideia da cobertura como “anticultural, uma loucura”, criticando que o monumento seja posto “ao serviço do lucro”.

O projecto vencedor prevê um anel periférico sustentado no bordo superior do coliseu e uma cobertura formada por várias telas unidas por um sistema de cablagem. Segundo o jornal Verona Sera, o sistema de recolha dos cabos está concebido de forma a manter o espaço aéreo “quase completamente livre” mas uma parte do monumento, a Sul, passará a estar sempre parcialmente coberta.

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