Por que razão a criança acorda mais do que antes

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Woman in bed switching alarm off.

Comecei  a pesquisar sobre o sono dos bebês desde quando minha filha começou a acordar bastante à noite. Até cinco / seis meses dormia bem, muitas horas seguidas. Depois do sexto mês as coisas mudaram, foi bem na época que nos regressamos ao Brasil, depois de uma temporada na Europa. Ela acordava com mais frequência e os ciclos de sono sempre mais curtos. Contrariamente a quanto estava acontecendo comigo, os bebês, filhos dos meus amigos, com a mesma idade de Jada, estavam dormindo à noite inteira!!!

O que estava acontecendo?  Por que estava acontecendo só comigo?

Quando era bebezinha se alimentava só com o leite materno e acordava à noite uma ou duas vezes para mamar, como pode agora, que esta melhor alimentada com, comida sólida, acorda mais? Não conseguia entender o que estava acontecendo, assim comecei a observar se era a digestão dos alimentos sólidos que a estava incomodando. Mas ela sempre comeu bem e seu intestino funcionava perfeitamente e nunca deu problema, Esperei para ver se foi a mudança de hemisfério, época e as cinco horas de fuso horário que estavam  atrapalhando seu sono. Mas depois de três semanas ela estava já com a rotina ajustada com o horário brasileiro. Então não podia ser isso. Por que razão então acorda mais do que antes? Os livros maravilhosos do pediatra espanhol, Carlos Gonzales e da pediatra italiana, Alessandra Bartolotto, me ajudaram a entender e nunca mais me senti sozinha para lidar com o sono noturno da Jada. Ao contrário me deram força para serem presentes e cuidar dela também à noite, porque somos pais de dia e de noite (como o titulo do famoso livro, do pediatra Sears) e assim aprendi a amar e ser carinhosa com Jada também durante as madrugadas. Aprendi melhor o que ela esta vivendo quando chegava a noite e o silêncio deixam nossos filhos ainda mais carentes e necessitados de amor e carinho.

Vou compartilhar então as coisas interessantíssimas que descobri.

Vamos ver o que fala Gonzales, no best seller Besame Mucho:

“Vejamos o que nos explica Samanta: Tenho uma menina com quase seis meses, a quem amamento (quando pede). Até agora tudo correu bem, durante a noite acordava várias vezes, mamava e voltava a adormecer (a cada três ou quatro horas). Mas ultimamente fá-lo a cada hora, hora e meia; chora, sem chegar a acordar, tenho de pegá-la ao colo, ofereço-lhe o peito e ela continua a dormir, e isto até daí a uma hora. Se não faço assim, desperta por completo e depois lhe é muito difícil voltar a adormecer.

A mãe de Laura (seis meses, igualmente amamentada) explica algo semelhante: Antes, quando era menor, dormia quatro ou cinco horas seguidas durante a noite; claro que durante o dia pouco dormia devido aos gases, com o que passou bastante mal nos três primeiros meses. Agora dorme mais durante o dia, no máximo duas horas seguidas, e, de noite, acorda de duas em duas horas.

Também Rosa, que apenas amamenta a filha: Tudo correu bastante bem, a menina foi ganhando peso e crescia bonita e saudável. Mas desde que fez quatro meses, temos observado que durante a noite aguenta poucas horas. Com três meses, já conseguia passar até sete horas a dormir, desde as nove da noite até cerca das quatro da manhã. Agora, dorme apenas três ou quatro, no máximo. Estas crianças acordam mais frequentemente durante a noite do que quando eram menores. Todas têm seis meses e todas são amamentadas. É casualidade ou tem algo a ver com a idade e o tipo de alimentação?  É provável que sim.”

Que bom! Então não acontece só comigo! Agora pensando bem, os filhos dos meus amigos que dormem a noite inteira, são todos alimentados com leite artificial!

Vamos continuar lendo as palavras de Gonzales:

“Investigadores norte-americanos estudaram os padrões de sono de um grupo de crianças, entregando questionários periódicos às mães. Todas as crianças incluídas no estudo tinham sido amamentadas durante pelo menos quatro meses, mas, aos dois anos, apenas metade continuava a mamar. Observaram que o fato de acordar ou não durante a noite dependia do fato de a criança continuar a mamar ou ter sido completamente desmamada. Estas últimas dormiam cada vez mais horas: nove horas seguidas aos sete meses e dez até aos vinte e quatro meses. As crianças que eram amamentadas pareciam seguir o mesmo caminho; aos dois meses já dormiam seis horas seguidas e aos quatro meses, sete horas, mas depois dos quatro meses ficavam mais ativas e, entre os sete e os dezesseis meses, dormiam apenas quatro horas seguidas. Aos vinte meses dormiam sete horas (parece que por fim começavam a dormir!); mas era um falso alarme e, aos vinte a quatro meses, dormiam apenas cinco horas seguidas. Também o tempo total de sono era diferente; as crianças que já não mamavam dormiam durante o dia uma ou duas horas mais do que aquelas que continuavam a mamar. Muitas das crianças que eram amamentadas dormiam com a mãe, mas passavam a dormir sozinhas pouco depois de deixarem de o ser. Estas crianças que dormiam com a mãe despertavam ainda com maior frequência durante a noite: aos vinte e quatro meses, as crianças que mamavam e ficavam com a mãe dormiam quase cinco horas seguidas; as que mamavam, mas que dormiam sozinhas, quase sete horas; as que não mamavam e dormiam sozinhas, nove horas e meia. É difícil saber se acordam porque estão com a mãe, ou se as deixam dormir com a mãe precisamente porque acordam frequentemente, ou se acordam igualmente, mas, quando estão no utro quarto, a mãe não dá por isso. Provavelmente, qualquer uma destas razões contribui um pouco. A duração normal do período de lactação, para um ser humano, segundo diversos dados antropológicos e de biologia comparada, parece ser entre os dois anos e meio e os sete. Numa amostra de mães norte-americanas que faziam parte de grupos de apoio à lactação e que tinham amamentado durante mais de seis meses, a idade média do desmame encontrava-se entre os dois anos e meio e os três, e algumas crianças tinham mamado durante sete anos. As crianças desmamadas entre os quatro e os sete meses e que começavam a dormir durante mais horas seguidas mamavam menos do que o normal e dormiam mais do que o normal. O normal é aquilo que fazem as crianças de peito: acordar com maior frequência depois dos quatro meses. Isso contribuiu para a sobrevivência dos nossos antepassados, permitindo que as crianças mantivessem o contacto contínuo com a mãe. Não sabemos por que razão as crianças que são alimentadas artificialmente apresentam um padrão anômalo de sono. Os fabricantes de leite artificial continuam a procurar que os seus produtos sejam o mais parecido possível como o leite  materno. Pode ser que algum dia solucionem também este pequeno problema de excesso de sono nas crianças. Alguns dos nossos leitores estarão a pensar: Cinco horas! Quem nos dera que o nosso filho dormisse pelo menos cinco horas! Bem, tenha em conta que isso é apenas uma média. Uns dormem mais e outros menos (por alguma estranha lei da natureza, é sempre o filho da vizinha quem dorme mais). Além disso, os investigadores não observavam as crianças durante o sono, perguntavam à mãe. Nem sempre a mãe tem conhecimento de que o filho acordou. Um amigo, o Dr. Jairo Osorno, comprovou, através de eletroencefalograma contínuo e filmes com raios infravermelhos, que, quando uma criança dorme com a mãe, pode mamar várias vezes por noite sem que nenhuma das duas acorde. Normalmente, de manhã, a mãe não se recorda de quantas vezes o filho mamou.”

Então o normal é o que a minha Jada faz! Acordar com maior frequência é a normalidade e isso contribuiu para a sobrevivência dos nossos antepassados, permitindo que as crianças mantivessem o contato continuo com a mãe. Então porque ninguém fala sobre isto? Porque as mãe que amamentam não estão suficientemente informadas sobre o sono dos nossos filhos?

Infelizmente o que domina na nossa sociedade é a cultura da separação: então é certo ter expectativa que as crianças dormem a noite inteira com seis meses e é julgada a mãe que dorme com o filho e que amamenta à noite; é normal olhar crianças que ao três anos chupam a chupeta e bebem só na mamadeira mas é criticada a mãe que amamenta o filho de três anos. Não sabemos por qual razão as crianças que são alimentadas artificialmente apresentam um padrão anômalo de sono, diz o pediatra Gonzales, mas parece ser o contrario: as crianças que tem padrão anômalo de sono parecem ser as crianças que mamam no peito e que acordam seguidos! E a coisa pior é que as mães que amamentam à noite são mal orientadas pelos pediatras e especialistas, com o risco de comprometer a amamentação!!

Lembramos novamente que as crianças que mamam no peito acordam à noite, isto faz parte da natureza humana e do saudável desenvolvimento das crianças. Atender nossos filhos à noite e amamentar ajuda-os  a crescer no amor e a criar confiança em si mesmos e no mundo. Nós, mães, podemos dormir perto dos nosso filhos para evitar que acordem e levantem continuamente praticando o co-sleeping. Isto não significa que todas as mães precisam fazer isto, cada mãe escolhe a forma de descanso mais apropriada para ela e o resto da família, acho só importante que a mãe seja informada sobre a fisiologia do sono das crianças e sobre as possibilidades que existem para descansar à noite em segurança com o seu filho, apesar das “acordadas” noturnas, como escrevei no post Co-sleeping, onde falo sobre esta pratica. Agora, Jada, continua a acordar; na primeira vez eu pego ela no berço e me deito com ela na minha cama e dormimos juntas até a manhã. Ela mama e eu durmo com o seu cheirinho maravilhoso e com as suas mãozinhas que fazem carinho no meu peito e no meu roso e tudo isto não tem preço!

 

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