Por que a criança chora quando a mãe sai do quarto?

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Jada, minha filha de oitos meses, começou a dar os primeiros sinais de ansiedade da separação. Todas as crianças atravessam esta fase mais ou menos nesta idade, eu sabia, mas claro fiquei muito surpresa quando, saindo do seu campo visual,para ir no banheiro, ou no quarto ao lado, por poucos segundos, ela explode em um choro de improviso e desesperado.  Mesmo que explique para ela com palavras de amor e carinho “amor ,a mamãe vai um segundo no outro quarto e ja estará contigo, a mamãe nunca vai te deixar sozinha” e mesmo  eu continuando a falar e cantar para ela ouvir a minha voz mesmo assim ela tem estas reações!! Para explicar o que esta acontecendo  vou usar as palavras do famoso pediatra, Carlos Gonzales, autor do best seller  Besame Mucho, que cada mãe e  pai ou futuros papais deveriam ler. O autor – que já no inicio do livro se declara a favor da criança e da sua necessidade de amor e carinho – explica que o choro está no dna do ser humano e que ajudou na sobrevivência da espécie humana.

“[…] Começar a chorar imediatamente é o comportamento lógico de adaptação, que a seleção natural favoreceu durante milhões de anos, porque facilita a sobrevivência do indivíduo. Numa tribo, há 100 000 anos, se um bebê separado da mãe chorasse imediatamente e a plenos pulmões, a mãe provavelmente iria buscá-lo de imediato. (..) Muito simplesmente, o choro do filho desencadeava nela um impulso forte, irresistível, de acudi-lo e confortar. Mas se um bebê se mantivesse calado durante quinze minutos e depois começasse a chorar baixinho e apenas chorasse a plenos pulmões ao fim de duas horas, a mãe podia encontrar-se já demasiado longe para o poder ouvir. Esse grito tardio já não teria qualquer utilidade para a sua sobrevivência, contribuindo, pelo contrário, para acelerar o seu fim. Porque, então, como agora, os gritos de angústia de uma cria abandonada eram música para os ouvidos das hienas.”

Mas, além disso, o pediatra nos explica que este comportamento, que para nós adultos ,parece pouco lógico; na verdade é o mesmo comportamento de quando estamos esperando confiantemente o regresso de uma pessoa ausente. Sim, porque para entender as crianças, devemos nos esforçar, para no lugar delas, imaginando ter o mesmo desconforto. Assim o pediatra nos convida a refletir com este exemplo:

-“Imagine agora que tem uma grande discussão com a sua filha de quinze anos, na qual se proferem censuras e insultos graves e, por fim, ela mete alguma roupa numa mochila e grita Odeio-te! Odeio-te, estou farta desta família, vou me embora para sempre, não quero voltar a ver-te na vida , e vai se embora, batendo a porta. Quantas horas espera, alegre e despreocupadamente, antes de começar a chorar? Não começará a chorar ainda antes que ela saia de casa, não a seguirá pela escada, não correrá atrás dela pela rua, não tentará agarrá-la sem temer dar espetáculo em frente de todos os vizinhos, não se porá de joelhos à frente dela e suplicará, não se deterá apenas quando a exaustão a impedir de continuar a correr? Parece-lhe que comportar-se deste modo possa ser infantil? Acha que iria ouvir os vizinhos dizerem:  Olha que mãe mais mal-educada, nem há cinco minutos que a filha se foi embora e já está a chorar como uma histérica. Certamente que o faz para chamar a atenção ? Sim, é fácil ser paciente, quando se está convencido de que a pessoa amada vai regressar. Mas não se mostrará tão paciente quando tiver dúvidas a esse respeito. E quando tiver a certeza absoluta de que a pessoa amada não pensa em voltar, não será absolutamente nada paciente, logo de início. Não precisa esperar quinze anos para viver uma cena como a descrita. A sua filha já se comporta assim agora, quando você se vai embora. Porque é ainda muito pequena para saber se a leitora vai regressar ou não, ou quando vai regressar, ou se entretanto vai estar perto ou longe. E, por acaso, o seu comportamento automático, instintivo, aquele que herdou dos seus antepassados ao longo de milhares de anos, será começar a pensar sempre no pior. Cada vez que se separa de si, a sua filha irá chorar como se a separação fosse para sempre. (E o que dizer das mães que pretendem tranquilizar os filhos com frases de estilo , se fores mau, a mamãe vai-se embora ; se te portares mal, não gosto de ti ! Dentro de três, quatro ou cinco anos, à medida que vá compreendendo que a mãe vai voltar, a sua filha poderá esperar cada vez mais tranquila e durante mais tempo. Mas não será por ser menos egoísta nem mais compreensiva , e muito menos porque você, seguindo os conselhos de qualquer livro, lhe ensinou a adiar a satisfação dos seus caprichos. Os recém-nascidos necessitam do contato físico; provou-se experimentalmente que, durante a primeira hora depois do parto, os bebês que estão no berço choram dez vezes mais do que aqueles que se encontram nos braços da mãe.”

Achei este trecho maravilhoso! Muitas veses é fácil ficar nervosa e agitada pelo choro do nosso bebê (tem algo mais agitador e apavorante do que o  pranto de um bebê???) e talvez com o cansaço, as dúvidas, mais o palpite das pessoas que nos dizem o que fazer, como: “deixa lo chorar faz bem aos pulmões!” (um parêntesis, não existe um estudo sobre este tipo de afirmações, que é pura e falsa sabedoria popular). Outro exemplo: “não pega sempre o filho no colo que vai se acostumando” , etc. As mães podem ficar confundidas. E ai que temos que respirar e lembrar que o nossos filhotes estão indefesos e necessitam de todo nosso amor, carinho e contato físico porque nessa fase a mãe é tudo: é objeto de desejo, sustento alimentar ,emocional e relacional e para crescer ,como adulto confiante em si mesmo e no mundo, os bebês devem confiar totalmente em nós e em nossa presença constante.  Por isto é importante nunca deixar uma criança chorar, pois é o único meio de comunicação que a criança tem . O choro SEMPRE é um  sinal de desconforto e uma mensagem para nós ,adultos cuidadores! Então vamos abraçar nossos bebês com todo nosso amor e carinho!!! Vamos CHUÇAR nosso bebê ! Hoje aprendi, da minha sogra, este verbo maravilhoso (não sei se existe de verdade em português ou foi ela que o criou, kkkkkk). Significa  cheirar, chuçar, amassar e beijar o bebê… Tudo aquilo que uma mãe quer!!

Agora vou que estou precisando chuçar a minha Jada!!!

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