Palácio de Mafra faz 300 anos e quer prenda da Unesco

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Haverá uma extensa programação a assinalar a data e concertos dos órgãos no primeiro domingo de cada mês. E avança a candidatura a Património da Humanidade

Sobreviveu quase incólume ao terramoto de 1755, o seu primeiro grande embate depois de construído, resistiu às invasões francesas, assistiu às lutas liberais, à extinção das ordens religiosas em 1834, e à implantação da República em 1910, tornando-se no primeiro monumento a abrir as portas ao público em maio de 1911. A 17 de novembro inicia um programa de celebração dos 300 anos do lançamento da primeira pedra. O Palácio de Mafra, mandado construir por D. João V em 1717, faz 300 anos. A celebração começa e termina com música e fogo de artifício. Pelo meio, formaliza-se a candidatura do conjunto – palácio, convento e tapada – a património da Humanidade da Unesco, divulgou o presidente da câmara municipal de Mafra, Hélder Sousa Silva, ontem, durante a apresentação da programação.

“É a celebração de um momento de expressão maior do Barroco europeu”, resumiu o diretor do Palácio Nacional de Mafra, Mário Pereira. O projeto está a ser coordenado pela Direção Geral do Património Cultural em parceria com a câmara municipal de Mafra e o exército. “Só será votado em 2018, mas tem de estar pronto no próximo ano para ser analisado”, precisou a diretora geral do Património Cultural, Paula Silva.

Mário Pereira lembrou, a propósito do programa de comemorações do tricentenário, que os carrilhões são um elemento ícone da história do palácio no século XX”. “Não há nenhum carrilhonista da primeira metade do século XX que não quisesse ter no seu portefólio ter tocado em Mafra, no Witlockx”. Quando assumiu a direção do Palácio, há 8 anos, tomou a recuperação dos carrilhões como uma prioridade. Os dois conjuntos estão a ser estudados academicamente e há um concurso público internacional a decorrer para selecionar quem fará o trabalho de restauro, uma obra com cerca de 18 meses de duração. Deveria estar concluída a tempo da comemoração dos 300 anos, o que não acontecerá. “Não estarão prontos”, afirmou a diretora geral do Património Cultural.

Mudos os carrilhões, ouvem-se os seis órgãos históricos da Basílica de Mafra, recuperados há cerca de uma década. Protagonizam vários momentos das celebrações nos primeiros domingos de cada mês. “São um elemento fundamental na publicitação deste monumento”, refere Mário Pereira.

Um protocolo com o ministério da Defesa, que ocupa, com a Escola de Armas (antiga Escola Prática de Infantaria), o convento de Mafra, permitirá, em 2017, resolver o problema das acessibilidades de um palácio “com 157 escadarias e quilómetros de corredores”, dados do diretor. A cisterna construída nesta zona do edifício foi desativada e é aqui que será construído o elevador. É, na verdade, um regresso.

Volta a caranguejola

“Aqui esteve, até aos anos 40, a chamada caranguejola, um elevador puxado por homens que trazia D. Maria Pia”, descreveu Mário Pereira. Isabel Yglésias, técnica do Palácio, dá uma achega. “O sistema, a manivela, puxado por nove homens, foi montado para facilitar as deslocações do pai de Maria Pia de Saboia, o rei Humberto de Itália, que era coxo”. A dita caranguejola, de uma fabricante inglês, não deverá ter sido usado depois da implantação da República e quando o local foi convertido em cisterna nos anos 40 do século XX, estaria já muito degradada, acredita a historiadora.

Dentro das comemorações está a recuperação, aberta ao visitante, das obras de pintura mural que vão decorrer na Sala do Trono, cujo mecenas é a Fundação Millenium bcp. “O conceito é abrir para obras, sob determinadas condições”, clarifica a diretora geral do Património Cultural. Ao longo do ano, o Palácio tem previstas uma série de conferências em torno das suas coleções. “Exporemos essas novas informações”, promete o diretor do Palácio de Mafra. “Vamos aproveitar para catapultar o monumento, não que ele não seja um monumento maior, mas dando mais visibilidade”, afirmou Paula Silva, ao DN, pouco antes da conferência. O Palácio Nacional de Mafra recebeu 242 mil visitantes até agosto deste ano. É o terceiro equipamento mais visitado dos 21 monumentos, palácios e museus que são tutelados pela Direção Geral do Património Cultural, depois do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém.

fonte: dn.pt

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