O tesouro da China: Templo do Céu

Encravado em 273 hectares, área quase duas vezes maior que a da Cidade Proibida, o Templo do Céu é um dos maiores e mais representativos do país asiático

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TURIS -- Pequim / Beijing - Templo do Céu. Encravado em 273 hectares Crédito: spectergeneral/Flickr

Os 12 meses do ano e as 12 tradicionais horas chinesas estão representados em colunas que sustentam o telhado cônico, símbolo do céu em azul profundo, que flutua em três camadas espirais sobre o salão circular. Tons dourados iluminam o vermelho imperial que recobre as paredes de 36 metros de diâmetro e os quatro pilares — as estações do ano —, elevados ao centro do Poço do Dragão, cuja espetacular abóbada também é decorada com imagens de Fênix. Todo em madeira, sem um único prego, o  templo Qinian Dian —  Salão de Oração Pelas Boas Colheitas — , terra e céu, o mundo humano e o divino, estão representados respectivamente no quadrado e no círculo, em cores e formas que se entrelaçam nesta obra-prima da arquitetura chinesa do século 15.

Situado em Pequim, no distrito de Chongwen, Qinian Dian é a principal edificação do Templo do Céu. Encravado em 273 hectares, área quase duas vezes maior do que a da Cidade Proibida, constitui um dos maiores e mais representativos complexos de templos da China dedicados ao sacrifício. A  construção deste, que originalmente se chamava Altar do Céu e da Terra, foi concluída simultaneamente à  Cidade Proibida, em 1420, durante o reinado do imperador Yongle, da Dinastia Ming (1368-1644), a última de maioria Han na China.

 Markus Bahlmann

Como em todas religiões de culturas agrárias, os elementos naturais constituíam as deidades. Na cosmogonia religiosa chinesa, de forte influência do taoísmo tradicional, o céu era central, podendo punir ou recompensar. Acreditava-se que o imperador, visto como o filho do céu na terra, tinha poderes para interceder pela humanidade e solicitar as graças para a abundância das colheitas. Em túnicas especiais e abstendo-se de comer carne duas vezes ao ano, o imperador e o seu séquito deixavam, em procissão, a Cidade Proibida até o templo para as cerimônias e rituais, dos quais nenhum dos chineses comuns era autorizado a acompanhar.

O complexo passou a se chamar Templo do Céu em 1534, depois de ter sido ampliado pelo imperador Jiaging, em 1530, a partir de quem os sacrifícios ofertados ao céu e à terra passaram a ser feitos separadamente, com a construção de um altar circular ao Sul do hall principal de sacrifícios. O Templo do Céu foi reconstruído pelos imperadores Qianlong e Guangxu, da Dinastia Qing (1644-1911), a última a governar a China. Provenientes da Manchúria, e sendo minoria numa China de maioria han, os imperadores Qing preservaram as tradições, pois sabiam que a solidez política das dinastias dependia diretamente de suas colheitas, ainda que tenham trabalhado longamente para substituir gradativamente o taoísmo pelo confucionismo.

Em 1749, a ampla área verde do entorno foi incorporada ao Templo do Céu. E, desde 1988, tornou-se um parque, com playground e amplos espaços que atraem praticantes de tai chi chuan, de ginástica, jogos tradicionais, além de apresentações de corais, danças étnicas e apresentações que exibem a antiga história, filosofia e religião da China. Integra desde 1998 a lista da Unesco de patrimônios da humanidade.

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