O chef faz o jantar lá em casa e ainda arruma a cozinha

Vontade de oferecer uma festa diferente ou garantir privacidade sem abdicar de um serviço gourmet são dois dos motivos que levam chefs a cozinhar em casa dos clientes. Preços começam nos 30 euros por pessoa, os menus são feitos de acordo com as preferências dos clientes e são os chefs que fazem as compras. Serviço ainda é raro em Portugal

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CARLOS MANUEL MARTINS/GLOBAL IMAGENS

Quer surpreender os amigos, a família ou simplesmente a cara-metade com um jantar digno dos melhores restaurantes. Mas não tem jeito para a cozinha e também não quer sair de casa. A solução é mandar vir o chef a casa. Este é um serviço ainda pouco divulgado em Portugal e muitos dos anúncios online já estão desatualizados, mas há quem se dedique a este nicho de mercado com sucesso. É o caso dos chefs Anselmo Candeias e Joe Best. Além de levar a alta cozinha a casa dos clientes, estes profissionais da cozinha fazem as compras, servem os pratos e ainda limpam a cozinha no final da festa.

“O mais pequeno que fiz foi para duas pessoas”, conta Joe Best, nome artístico de José Besteiro. Uma experiência vendida num site a propósito do Dia dos Namorados, concretiza. No outro extremo conta com um evento para “350 pessoas”, entre as quais estava “o presidente da Comissão Europeia”.

A experiência de começar a cozinhar em casa das pessoas principiou para Joe em 1985, no Algarve. “Mais tarde, em 2004, comecei a fazer mais regularmente, em 2009 refinei o conceito e faço-o mais amiúde.” “Um chef em sua casa”, como lhe chama, é um serviço que no entanto não está ao alcance de todas as bolsas. O serviço tem um custo mínimo de 600 euros ou para um grupo de 12 pessoas, na zona de Lisboa. Joe Best também se desloca a outras zonas, estando o preço dependente do evento em causa e da localização do mesmo.

Anselmo Candeias está neste momento dedicado em exclusivo ao serviço “um chef ao domicílio”, depois de ter passado por vários restaurantes. Ainda assim está esporadicamente em eventos em hotéis e de algumas marcas. O serviço personalizado que oferece custa “em média 30 a 40 euros por pessoa”.

O chef sublinha que este tipo de trabalho lhe permite “contactar com pessoas que já têm uma certa cultura gastronómica, têm poder de compra”. Além disso, o próprio reconhece que já não tem disponibilidade para trabalhar num restaurante ou hotel. “Presentemente sou freelancer, a trabalhar para outras pessoas temos sempre de nos sujeitar. E assim faço questão de fazer a minha cozinha de autor.”

Ao contratar um chef, o cliente não está apenas a contratar alguém que lhe prepara uma refeição gourmet. Este é um serviço que inclui as compras, o serviço à mesa e até a limpeza da cozinha. “Ainda no fim de semana passado fiz um jantar para uma família estrangeira e a senhora até no fim agradeceu porque a cozinha ficou limpa, a louça ficou dentro da máquina e a única coisa que ficou por fazer foi tirar a toalha da mesa, porque eles ainda ficaram lá sentados”, exemplifica Anselmo Candeias.

As compras e a construção do menu

Uma preparação que por isso mesmo leva sempre a que, segundo Joe Best, o chef esteja em casa do cliente “nunca menos de três ou quatro horas”. Antes disso é preciso definir o menu e muitas vezes isso implica ir às compras: “Apesar de no início podermos contar com a despensa e o frigorífico do cliente, hoje em dia as pessoas, por causa do ritmo acelerado da vida, delegam no chef e preferem o serviço chave na mão.”

O serviço mais pedido no caso de Joe Best é a “cozinha de autor”, mas o chef tem um menu chamado “Taberna Portuguesa Revisitada” e há clientes de longa data que continuam a preferir a cozinha regional portuguesa, pura e dura”. Para as fotografias do DN, o chef preparou, por exemplo, tártaro Açores e gelado de beterraba.

Anselmo Candeias começa por ouvir o que os clientes têm em mente para o evento. “Não proponho logo um menu, falo com as pessoas, vejo o que querem, o que gostam, dentro da conversa posso sugerir um menu, depois é uma questão de preços e das condições inerentes à refeição, se tem bebidas ou é sem bebidas”, enumera. Outra modalidade é “fazer o meu serviço à despesa, as pessoas custeiam a matéria-prima e eu apresento faturas concretas do que se vai gastar no evento”.

Por norma, o chef Anselmo fica encarregado de ir às compras e preparar tudo, muitas vezes até antes de chegar à casa do cliente. “Depende, nem sempre os clientes têm os utensílios necessários para alguns pratos e o que faço é finalizar na casa do cliente, mas tento levar já tudo adiantado.”

A mais-valia de ter um jantar gourmet em casa é que este inclui os serviços de mesa do próprio chef e os convidados podem ir dando indicações se estão a gostar ou não dos pratos. Se os grupos não tiverem mais de dez pessoas, Anselmo Candeias serve à mesa, caso contrário pode incluir no serviço um empregado de mesa.

O trabalho acaba por ser um bocado ingrato, pois enquanto todos se divertem, o chef está preocupado em fazer os pratos, pôr a mesa em ordem e arrumar as coisas. E depois? “Venho-me embora.” Segundo Anselmo Candeias essa é a mais-valia deste serviço, “as pessoas querem a privacidade da sua casa e servir uma refeição mais gourmet sem terem de se preocupar”.

O mesmo sublinha Joe Best, para quem o papel do “cozinheiro particular” é deixar o anfitrião desfrutar da sua folga na cozinha. Jantares de aniversário, com amigos ou festas surpresa são os eventos ideais para entregar a sua cozinha aos cuidados de um profissional dos tachos e dos sabores.

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