Neozelandês deixa cargo de diretor da IBM para criar negócio de cafés no Brasil

Filho de pais holandeses, Marco Kerkmeester passou a adolescência trabalhando no negócio da família, uma fazenda de kiwis. A certa altura, no entanto, começou a sonhar com um trabalho mais “chique”, dentro de um escritório.

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Após passar pelo curso de química e pelo exército, onde estudou TI e administração, decidiu buscar emprego como analista de sistemas. Recebeu um convite da IBM para ingressar no marketing. Logo tornou-se diretor da área na região Ásia-Pacífico. O sonho, no entanto, não saiu exatamente como ele queria. “Vivia no avião, porque meu ‘escritório’ era a Ásia. Passava 22 horas por semana voando”, relembra.

E foi assim, em um avião, que Kerkmeester teve um encontro que mudou sua vida. Ele conheceu uma brasileira e, algumas semanas depois, mudou-se para Sydney com ela. Mais tarde, para Singapura . Depois de alguns anos, pensando num bom lugar para criar os filhos, o casal escolheu Brasil. Faltava apenas decidir o que fazer.

“Depois de três meses no país estudando português e o mercado, voltei para a Nova Zelândia para buscar meu visto permanente e pensei que, quando eu chegasse, a primeira coisa que eu queria era tomar um bom café. Naquela época (começo dos anos 2000), era difícil encontrar um bom café no Brasil.” Juntando essa percepção à vontade de trabalhar com pessoas, surgiu a ideia do Santo Grão. Com a ajuda de um empréstimo do pai, em 2003 o novo sonho virou realidade.

 

Interior da unidade própria, nos Jardins (Diego Nata e Ale Santos)

Hoje o negócio funciona em sistema de franquias – apenas a primeira unidade, na região dos Jardins, é própria. E, até para ela, Kerkmeester está buscando um sócio. “É engraçado, porque todas as outras vão melhor do que esta. Tem uma frase em português que diz que ‘o olho do dono engorda o boi’. Estou fazendo outras coisas, então preciso de alguém para comandar esta unidade”, diz. A busca, contudo, é interna: todos os franqueados são pessoas que já trabalharam no Santo Grão. “Nós queremos espalhar nossa cultura de pessoas naturais, verdadeiras.”

O investimento de R$ 100 mil por ano em cursos como coaching, programação neurolinguística e liderança situacional tem a finalidade de replicar essa cultura a que se refere. “Às vezes, acho que somos um pouco loucos, mas temos visto resultados. Agora temos um time de 250 pessoas, e o faturamento em 2016 foi de R$ 33 milhões. Para 2017, a projeção é de aumento de 12%”, conta.

O próximo passo, segundo o empresário, é uma fábrica de torrefação própria, projetada para entrar em funcionamento em fevereiro de 2018.

Reportagem publicada na edição 56, lançada em dezembro de 2017

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