Merkel confirma que ataque em Berlim foi “um atentado terrorista”

Rádio diz que motorista de caminhão que matou 12 era um paquistanês residente na capital

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O caminhão que atropelou várias pessoas numa feira natalina de Berlim. REUTERS

A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, confirmou que o ataque desta segunda-feira contra uma feira natalina em Berlim, que deixou 12 mortos e 48 feridos, foi “um atentado terrorista” e que seu suposto autor “é um refugiado que havia pedido proteção” na Alemanha. As primeiras informações da polícia já apontavam para essa hipótese, pois o caminhão de grande tonelagem que atropelou cidadãos “foi conduzido deliberadamente para a multidão”; o verdadeiro condutor habitual do veículo foi assassinado a tiros, e a ação era muito similar à perpetrada em julho por terroristas jihadistas em Nice (França). A rádio pública de Berlim informa que o autor do crime é um paquistanês de 23 anos, com antecedentes por delitos leves, que havia pedido asilo na capital alemã no começo deste ano. “Com os dados que temos, precisamos partir do princípio de que se trata de um ato terrorista”, afirmou Merkel.

“As investigações policiais sobre o suposto atentado terrorista na Breitscheidplatz prosseguem a toda velocidade e com o cuidado necessário”, disse a polícia local pelo Twitter. As autoridades devem conceder entrevista coletiva nesta terça-feira para apresentar detalhes sobre o ataque em que 60 pessoas foram atropeladas pelo caminhão, que percorreu 50 metros entre os quiosques de alimentos e presentes da tradicional feira de Natal.

As forças de segurança alemãs mantiveram desde o primeiro momento uma grande cautela na hora de divulgar qualquer dado ou qualificativo sobre a natureza do ataque noturno no calçadão da Breitscheidplatz, no centro da capital alemã. Mas o próprio ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, se inclinava pela hipótese terrorista durante a madrugada, após receber os primeiros dados confiáveis sobre o ataque: “Ainda não quero usar a palavra atentado, embora muitos elementos apontem nessa direção”. A Procuradoria Geral Alemã assumiu as investigações.

A emissora pública RBB (Rádio e Televisão Berlim-Brandemburgo) e o jornal Die Welt, citando fontes policiais, detalham que o suposto autor do ataque, detido pouco depois dos fatos, foi identificado como Navid B., que nasceu em 1º. de janeiro de 1993 na cidade paquistanesa de Turbat e entrou na Alemanha em 16 de fevereiro deste ano pela localidade de Passau, na fronteira com a Áustria. Esses dois veículos informam que o suspeito havia sido previamente detido por crimes comuns leves.

Sua detenção, de acordo com o Die Welt, ocorreu graças a uma testemunha que o seguiu ao vê-lo descer do caminhão e fugir. Essa testemunha avisou a polícia e se manteve em contato telefônico com o serviço de emergências enquanto perseguia o suspeito até o Tiergarten, o zoológico de Berlim, em cujas imediações o homem foi finalmente capturado.

Uma unidade especial da polícia alemã entrou nesta terça-feira em um albergue de refugiados da capital alemã, situado num hangar do antigo aeroporto de Tempelhof, no centro da cidade. O local passou a acolher refugiados no ano passado, devido ao grande fluxo de solicitantes de asilo.

O caminhão transformado em arma letal tem placas de Gdansk (Polônia). A polícia de Berlim disse suspeitar que o veículo foi roubado, e o seu proprietário informou que um primo seu, também polonês, havia viajado com esse caminhão e deveria pernoitar em Berlim, mas sem ir ao centro.

O dono da empresa de transportes duvidava da possibilidade de que o motorista, com 15 anos de experiência, fosse o responsável pelo suposto ataque, acreditando em vez disso que se tratava de um roubo ou sequestro – algo que a polícia aparentemente confirmou mais tarde. O copiloto, de nacionalidade polonesa e sobrinho do dono da empresa, foi achado morto dentro da cabine. Os primeiros dados indicam que foi assassinado a tiros, segundo Karl-Heinz Schroeter, ministro do Interior do Estado de Brandemburgo, que rodeia Berlim.

Os dados do GPS do veículo indicam que, por volta de 12h de segunda-feira (hora local), ele estava parado em frente à sede da empresa de transportes em Berlim, e que voltou a se locomover por volta das 16h. O ataque à feira de Natal ocorreu por volta de 20h (17h em Brasília).

Os ministros do Interior dos 16 Estados alemães decidiram, em reunião nesta terça-feira com De Maizière, o ministro nacional da pasta, manter abertas as tradicionais feiras de Natal no país, mas com um reforço das medidas de segurança se for necessário. Porém, as autoridades do Estado de Berlim pediram às empresas responsáveis pelas feiras natalinas da capital que não funcionem nesta terça, “em consideração às vítimas e seus familiares”.

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