Mais 3,3 milhões de entradas no top ten dos monumentos

Os números mostram claramente o impacto do turismo na procura dos monumentos nacionais: nos últimos cinco anos, os 10 monumentos mais visitados em Portugal registaram mais 3,3 milhões de entradas pagas.

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O Castelo de São Jorge, em Lisboa, é o campeão de bilheteiras dos monumentos nacionais, com quase 1,8 milhões de visitas no ano passado. Um recorde. Aliás, no top ten, os números de entradas são os mais elevados de sempre em todos os monumentos que, no seu conjunto, receberam quase 8,4 milhões de visitas. Olhando para os valores desde 2012, este total representa mais 3,3 milhões de visitas, um aumento global de 64,6%, com a Universidade de Coimbra a registar a maior subida percentual, 130,3%.

A Universidade, que ocupa a nona posição, é, de resto, uma das três instituições de entre as dez mais procuradas que não se situa na zona de Lisboa, juntamente com Serralves, no Porto, e o Paço dos Duques, em Guimarães, de acordo com os dados facultados ao DN por cada uma das entidades gestoras dos monumentos. Olhando para a evolução das entradas de visitantes em monumentos fora de Lisboa, quase todos mostram uma evolução favorável – de entre os monumentos analisados pelo DN, apenas o Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu, tem valores mais elevados em 2012 do que os contabilizados em 2016. E note-se o crescimento acima dos 70% de duas instituições do Porto: o Palácio da Bolsa (70,3%) e a Igreja de São Francisco (81,4%), com a primeira a receber 341,9 mil visitantes em 2016 e a segunda 354,2.

Com mais bilhetes a serem vendidos, não admira que também os valores arrecadados nas bilheteiras mostrem uma tendência de subida. Segundo dados da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), a receita de bilheteira cresceu 4,4 milhões de euros, passando de 11,5 milhões em 2014 para 15,9 em 2016. E para este ano a perspetiva é que ultrapasse largamente os 16 milhões de euros, uma vez que até 31 de agosto ascendia já a 11,6 milhões de euros.

Castelo de São Jorge poderá ter de adoptar horários faseados para controlar fluxo de visitantes

Dores de crescimento do castelo

E se o maior número de visitantes não é um problema nos monumentos geridos pela DGPC – à exceção da Torre de Belém (ver entrevista ao lado) – já no Castelo de São Jorge os alarmes já soaram. E mais do que a soma total do ano, o que está em causa é a capacidade diária do monumento.

Após vários anos com entradas em torno dos 900 mil/um milhão de visitantes, nos últimos quatro anos a procura não tem parado de aumentar no Castelo de São Jorge. “Estamos a contar chegar aos dois milhões de visitantes este ano, e possivelmente estamos a chegar aqui a um limite a partir do qual vamos ter de gerir os fluxos, por questões de salvaguarda do património e de segurança das pessoas”, afirma Teresa Oliveira, diretora do monumento desde que em novembro de 2004 passou a ter entradas pagas. “São as dores de crescimento”, diz. Para as quais já está a procurar remédios com a venda de bilhetes para entrada com hora marcada a ser equacionada.

Desde que a entrada passou a ser paga, as condições de visita foram substancialmente alteradas, com a criação do serviço educativo e a valorização dos recursos patrimoniais através do projeto de musealização do sítio arqueológico e da instalação da exposição permanente com o espólio encontrado durante as escavações dentro do recinto do castelo.

Mudanças que Anita Schmidt aplaude. Esta norte-americana, que esteve no castelo em 1999, diz recordar pouco mais do que a vista e as muralhas dessa visita. Na última quinta-feira, já tinha visitado o núcleo museológico e participara numa visita ao sítio arqueológico. “Até podiam dar mais informação, mas percebo que nem todas as pessoas tenham o mesmo interesse”, refere ao DN enquanto espera à porta do Periscópio para participar numa das visitas que de 20 em 20 minutos aí são feitas, em diferentes idiomas.

Com a procura a continuar a aumentar, Teresa Oliveira lista as prioridades: criar bilheteira online, disponibilizar audioguias, melhorar a sinalética e criar um percurso mais confortável, melhorando a acessibilidade para todos. Porque o castelo “já não é só um miradouro”, defende.

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