Impact Hub chega finalmente a Lisboa para incubar 60 projetos

Incubadora vai ocupar um espaço no Museu da Carris, em Lisboa, com capacidade para acolher 150 empreendedores com projetos com impacto social ou ambiental. A abertura está prevista para abril.

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Foi um “longo processo” mas é desta que o Impact Hub chega a Lisboa. O anúncio foi feito esta terça-feira, no futuro espaço de incubação e cowork, que vai ocupar uma área de 500 metros quadrados, na antiga cozinha e cantina da estação de comboios que hoje dá lugar ao Museu da Carris, em Alcântara, Lisboa.

Já em fevereiro de 2016 era notícia a instalação do Impact Hub em Lisboa, num pavilhão na zona do Beato-Marvila, que tinha capacidade para 250 lugares de cowork, 85 lugares em espaços reservados para startups ou pequenas e médias empresas (PME). No entanto, o projeto não avançou, levando à alteração das entidades parceiras e da localização do espaço.

Seguiram-se mais três tentativas para instalar o Impact Hub em Lisboa até chegar a este espaço em Alcântara que terá capacidade para acolher 150 pessoas, cerca de 60 projetos, dividido entre cowork, escritórios privados, salas de reuniões e uma zona para eventos.

Este espaço pretende ser uma âncora do empreendedorismo de impacto em Lisboa”, destacou Gonçalo Teixeira, diretor-geral do Impact Hub Lisbon.

Qualquer empreendedor ou empresa, com três, quatro pessoas, com um projeto na área do empreendedorismo social pode juntar-se ao Impact Hub Lisbon, por valores que podem ir dos 50 aos 380 euros mensais. Os projetos que lá se instalarem terão acesso a programas de incubação, aceleração e scaleup (para escalarem) ligação a investidores, a instituições públicas e privadas, e programas de formação mais personalizados, de acordo com as necessidades de cada projeto.

Os mais de 12 anos de know-how e mais de 80 espaços no mundo inteiro gerou uma grande biblioteca de conhecimento. E é esse conhecimentos que nós queremos pôr à disposição dos empreendedores, dos parceiros que trabalham connosco em Portugal”, refere Gonçalo Teixeira.

O Impact Hub não quer “vender o metro quadrado”, notou Filipe Portela, um dos responsáveis pelo espaço de Lisboa. “Nós não somos um coworking, não somos uma incubadora, não somos uma aceleradora. Somos um bocadinho de tudo, na realidade”, referiu.

Portugal está muito bem posicionado em termos geográficos e de recursos para que possamos ser a referência a nacional, mas é principalmente a nível internacional que queremos ser”, considerou Filipe Portela.

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O Impact Hub Lisbon terá capacidade para acolher 150 empreendedores no espaço no Museu da Carris

O responsável reforçou ainda que o papel da instituição é o de criar uma rede, que será um dos maiores contributos do projeto para a “comunidade”. A partir do momento em que as startups internacionalizem os seus projetos, podem ter acesso a um espaço de trabalho onde quer que exista um Impact Hub, seja em Lisboa, Singapura ou São Paulo, apoiando empreendedores portugueses mas também os estrangeiros que queiram instalar-se em Portugal.

O Impact Hub já está a funcionar num “espaço piloto”, no Príncipe Real, desde novembro. Agora, no novo espaço, no Museu da Carris, a instituição quer lançar “em breve” o MedTech, um programa de aceleração para startups da área da saúde, com resposta social e de impacto. E ainda outra aceleradora para a área das tecnologias. Será ainda lançada uma escola para capacitar populações em risco.

Vamos iniciar um projeto com a Fundação Ageas que pretende capacitar pessoas em grupos de risco. Ainda não estão identificados quais os grupos de risco em concreto, mas o tema vai ser à volta da empregabilidade. Queremos trabalhar as pessoas de forma a capacitá-las e a poderem ser integradas no mercado de trabalho”, anunciou Filipe Portela.

A previsão é a de que a escola arranque em março ou abril, com uma duração de cinco meses, em Lisboa, com a possibilidade de ser expandido para outras cidades.

Isto é economia social, economia de impacto mas tem de ser autossustentável. Os negócios têm de se manter a si próprios e não viver de subsídios ou donativos”. Um dos nossos objetivos é que as próprias empresas deixem de ver a responsabilidade social como um gasto de dinheiro. A responsabilidade social também pode ser uma forma de descobrir novos negócios, novos produtos, com impacto”, acrescentou Filipe Portela.

O Impact Hub nasceu em Londres , em 2005, e, desde a sua fundação, já ajudou a criar cerca de 1.250 startups e 4.600 postos de trabalho a tempo inteiro. A incubadora tem mais de 15 mil membros espalhados por 80 cidades, envolvendo, em programas, formações e palestras, cerca de 54 milhões de pessoas em todo o mundo.

Depois do arranque em Lisboa, os responsáveis do Impact Hub planeiam a expansão pelo país. “A ideia é continuar a crescer. Temos já pré-negociados mais 800 metros quadrados e a ideia é continuar a crescer tanto aqui em Lisboa como a nível nacional”, referiu Filipe Portela. Acrescentou ainda que “uma pequena equipa” está a trabalhar no Impact Hub Porto, prevendo a abertura de um segundo espaço, a norte, em 2018.

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