Governo colombiano e Farc assinam acordo de paz definitivo

Pacto foi renegociado para incluir propostas da oposição; em cerimônia, Santos e Timochenko pediram que o Congresso aprove o novo texto

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Colombia's President Juan Manuel Santos, front left, shakes hands with Rodrigo Londono, known as Timochenko, top leader of the Revolutionary Armed Forces of Colombia, FARC, after signing a revised peace pact at Colon Theater in Bogota, Colombia, Thursday, Nov. 24, 2016. An original accord ending the half century conflict was rejected by voters in a referendum last month. (AP Photo/Fernando Vergara)

BOGOTÁ – O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timochenko, assinaram nesta quinta-feira, 24, o acordo de paz revisado depois de quase dois meses de a população ter rejeitado o pacto original em um plebiscito. Na semana que vem, o texto será avaliado pelo Congresso.

Em cerimônia realizada no Teatro Colón de Bogotá, o governo e a principal guerrilha do país encerraram mais de 50 anos de conflito que deixaram mais de 260 mil mortos e 6,9 milhões de deslocados. Após a assinatura do pacto, Santos e Timochenko apertaram as mãos e fizeram discursos ressaltando o tom “inclusivo” do novo texto.

Para o governo e as Farc, o acordo final aborda a maioria dos pedidos da oposição, mas os opositores liderados pelo senador e ex-presidente Álvaro Uribe afirmam que ele não contém as mudanças necessárias. O Centro Democrático pedia a não elegibilidade política de responsáveis por crimes atrozes enquanto cumprem suas penas.

Na semana que vem, o novo pacto será avaliado pelo Congresso para ser ratificado. Segundo Santos, realizar uma nova consulta popular como forma de validação do acordo poderia dividir ainda mais o país.

Antes da assinatura, lamentando que setores “radicais” da oposição rejeitem a novo proposta, Santos garantiu que “a porta está aberta” para um diálogo com os críticos, fazendo um apelo para que cheguem a um consenso “sobre a implementação do acordo”.

Uribe chegou a solicitar uma reunião com as Farc, que de imediato descartaram o encontro por considerar que o ex-presidente queria “adiar” a paz.

Para o diretor do centro de análises de conflito Cerac, o analista Jorge Restrepo, está “claro que seria melhor ter um acordo de consenso, mas isso é quase impossível de conseguir com o que o Centro Democrático (partido de Uribe) está pedindo às Farc, que é que não se elejam politicamente”.

Cerimônia. O tamanho do pequeno e clássico Teatro Colón, recentemente reformado e com capacidade para 800 pessoas, marcou o tom discreto da cerimônia. Diferente da assinatura do acordo original – que ocorreu no dia 26 de setembro em Cartagena, na presença de 2,5 mil convidados, entre eles 15 chefes de Estado -, dessa vez a cerimônia foi exibida em telões na praça Bolívar. /AFP e AP

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