Espanha impõe número máximo de turistas que podem entrar nas ilhas Baleares

O turismo em massa está a afetar o sul da Europa e até já motivou protestos violentos em Barcelona e em Maiorca. Agora, o arquipélago espanhol decidiu implementar uma medida drástica.

0
183

A partir desta semana, as ilhas Baleares (arquipélago de Espanha de que fazem parte as ilhas de Maiorca ou Ibiza, por exemplo) vão passar a ter um número máximo de lugares disponíveis para turistas: 623.624. Nem um a mais. Entre hotéis e estabelecimentos de alojamento local, aquelas ilhas espanholas não vão poder oferecer mais lugares para turistas, sob pena de os proprietários e as empresas turísticas serem condenados a multas que podem chegar aos 400 mil euros.

A medida faz parte da nova regulamentação da atividade turística do arquipélago, em vigor desde esta terça-feira, e aprovada pelo governo autónomo das ilhas Baleares, liderado pela socialista Francina Armengol. O executivo deu aos operadores turísticos um prazo de 15 dias para se adaptarem à nova legislação e para retirarem do mercado toda a oferta ilegal.

As empresas hoteleiras e as que exploram estabelecimentos de alojamento local — bem como as plataformas de publicitação desses alojamentos, como o Airbnb ou o Homeaway, por exemplo — passam a estar sujeitas ao controlo da oferta, de forma a que o número total de lugares disponíveis no arquipélago nunca ultrapasse os 623.624. Mais: cada ilha terá direito à sua quota de turistas. A maioria dos lugares estará na ilha de Maiorca (435.707), seguida de Ibiza (109.800), Menorca (60.117) e Formentera (18.000).

No futuro, o executivo do arquipélago pretende reduzir ainda mais o número de lugares disponíveis, pelo menos em 120.000. A ideia do governo é “pôr ordem” no turismo que chega em massa às ilhas Baleares, sobretudo devido ao aparecimento do alojamento local, que tem levado milhares de pessoas a Maiorca todos os anos.

O alojamento local e as plataformas digitais de publicitação de aluguer turístico são, aliás, o grande alvo da nova regulação, que proíbe de forma temporária o arrendamento de curta duração de apartamentos a turistas. A partir de agora, e até à emissão de um novo regulamento especificamente direcionado para o alojamento local, apenas é possível arrendar moradias que estejam licenciadas para o efeito. Apartamentos no geral e habitações sem licenciamento ficam de fora.

Quem não cumprir fica sujeito a multas pesadas: o proprietário de um apartamento que coloque essa habitação para arrendamento turístico pode ter de pagar até 40 mil euros de multa. Já uma plataforma de arrendamentos de curta duração, como o Airbnb ou o Homeaway, que publicite um apartamento ou uma qualquer habitação que não esteja licenciada para o efeito fica sujeita ao pagamento de uma multa que pode chegar aos 400 mil euros.

limitação do número de lugares disponíveis para turistas é uma das medidas que fazem parte de uma tendência que está a alastrar-se pelo sul da Europa, destino de turismo em massa. Esta semana, por exemplo, foi notícia a imposição de restrições a turistas por parte das autoridades italianas, país onde cresce a “turismofobia”.

Em Veneza , por exemplo, as autoridades limitaram o número de pessoas permitidas nos canais. Já em Roma , 37 seguranças foram colocados nas principais fontes da cidade para impedir comportamentos abusivos. Num dos principais bairros históricos de Milão, não entram latas, garrafas de plástico e selfie-sticks, e em Florença há praças a serem molhadas para evitar que os turistas se sentem no chão.

Protestos anti-turistas em Espanha provocam pânico

Um pouco por toda a Europa, tomam-se medidas para controlar os negócios ligados ao turismo e para proteger os habitantes das cidades e o património: em Amesterdão, por exemplo, já não é possível arrendar um apartamento por menos de sete dias — menos, só em hotéis. Em Copenhaga, até há bairros onde é proibido arrendar casa a turistas. E em Barcelona , há inclusivamente uma equipa de fiscalização permanente que percorre as ruas em busca de estabelecimentos de alojamento local sem licença.

Em Espanha, a medida de impor um limite para o número de turistas que podem ficar alojados nas ilhas mediterrânicas surge duas semanas depois de violentos protestos contra turistas, levados a cabo pela organização juvenil Arran, ligada à extrema-esquerda da CUP (Candidatura de Unidad Popular, partido independentista da Catalunha). “Paremos o turismo maciço que destrói Maiorca e que condena a classe trabalhadora dos países catalães à miséria”, anunciou a organização no Twitter, antes de uma série de ataques nas praias e restaurantes de Maiorca.

Ver imagem no Twitter

Os jovens invadiram restaurantes e praias, gritaram para os turistas e exibiram cartazes dizendo que “o turismo está a matar Maiorca” e que “os turistas são os terroristas”. O mesmo grupo foi responsável pelos mediáticos protestos em Barcelona, na semana passada. Os jovens abordaram um autocarro turístico junto ao estádio do FC Barcelona e danificaram o veículo, interrompendo a viagem e provocando o pânico nos passageiros. Depois, divulgaram o vídeo no YouTube. A autarquia da cidade catalã já anunciou que irá avançar com um processo contra o grupo devido aos danos provocados no veículo, que ascendem aos dois mil euros.

Booking.com

Deixe uma resposta