Crónica. Utilitários para o bairro e para o mundo

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A Web Summit é uma feira onde abundam as “apps”, mas também por lá se encontram muitos outros tipos de soluções tecnológicas. Dois exemplos: um mete obras e outro tarifas de roaming

Construção Civil

www.construcaocivil.info

Uma parede rachada ou um buraco na estrada são problemas de escalas diferentes, com os quais nos deparamos frequentemente. A escala de resolução também é distinta.

Para arranjar uma fissura é preciso procurar pedreiros e pintores, pedir uma visita ao local e os devidos orçamentos, encargos bem escritos e de preferência com fatura. Já se o problema for um buraco na estrada que ameaça arruinar uma jante ou um pé, a questão pode não ser tão simples de resolver.

O brasileiro Alexandre Benkendorf, um dos programadores do site Construção Civil, explicou-nos de que forma esta plataforma separa os problemas privados dos problemas públicos. O primeiro resolve-se rapidamente e o segundo com barulho. Vamos a exemplos práticos, fica mais fácil.

Tem uma parede em casa que precisa de ser arranjada. Tira-lhe uma fotografia e coloca-a no seu perfil no site Construção Civil. Os profissionais que estejam no raio de alcance da sua morada ficam a saber do problema e entram em contacto consigo, com uma previsão de orçamento. Ou seja, não precisa de ir atrás do alveneiro, ele vai ter consigo. Além do mais, vai poder classificar o serviço, promovendo os bons trabalhos.

Quanto ao tal buraco na estrada ou no passeio, o tal problema que afeta todos os que por ali passam (ou seja, a comunidade): entra no mapa da aplicação – que se baseia no Google Maps – e assinala o dito, ficando essa informação também visível no domínio público onde, espera-se, estejam também as autoridades. Quantos mais referências existirem sobre o mesmo problema, maior a pressão da comunidade sobre quem tem o poder – as câmaras ou os governos, depende da escala. Lá está, o povo a fazer barulho.

O site Construção Civil liga a componente negócio com a de serviço público, misturando duas necessidades de escalas diferentes. No exemplo do buraco na estrada dão gratuitamente o poder aos cidadãos de fazer pressão sobre quem manda; já na questão da parede rachada, o custo recai sobre o empresário da construção, que é quem tem de pagar para ter acesso às necessidades dos potenciais clientes, no raio de uma rua, bairro, cidade ou região (quanto maior o alcance, maior o custo).

Consumidores, profissionais e autoridades na mesma plataforma. Não fica confuso e é serviço comunitário. Vamos marcar buracos?

construcaocivil.info

construcaocivil.info

ChatSim

www.chatsim.com

Um chavão: o mundo está cada vez mais pequeno. Uma realidade: os tarifários de roaming não.

É global, saímos do país e, neste tempo do “always on”, sobram-nos poucas opções: desligar o smartphone (pois, é complicado), desligar os dados e pagar um balúrdio por uma única SMS (agora que nos habituamos a partir uma única frase em cinco ou seis mensagens) ou, para estadias maiores, comprar um cartão de uma operadora local. Descartamos da lista a opção ligar-a-uma-rede-Wi-Fi-qualquer, por ser perigoso. A sério, só o faça se não tiver alternativa.

Para resolver isto, a empresa italiana ChatSim criou um cartão que dá acesso a mensagens escritas ilimitadas em oito aplicações, entre elas o WhatsApp e o Messenger. Quanto custa? 10 euros por ano. O cartão ChatSim está disponível para compra online e já vem recortado para todos os tamanhos – do standard ao “nano”.

Este cartão pode também ser ativado com a função “multimédia”, para permitir o envio de fotografias, vídeos ou efetuar chamadas (VoIP). Cada ativação de “dois mil créditos” custa 10 euros e dá, garantiu-nos Pierre Brais, da ChatSim, para vários meses de utilização normal – cada fotografia enviada equivale a quatro ou cinco créditos. Dá para o gasto.

O mais interessante deste serviço está na simplificação. A SimChat pegou num sistema “muito complicado” que é a gestão do roaming e negociou uma tarifa única com 250 empresas de telecomunicações em 150 países. O que conseguiram foi um preço mínimo e igual para suprir a principal necessidade prática das pessoas em viagem, que é manter a comunicação escrita.

Olhando para a realidade europeia, temos de admitir que os tarifários estão cada vez mais acessíveis (em estadias de curta duração, pelo menos), mas uma viagem às américas ou ao continente asiático implica um custo absurdo.

O ChatSim bloqueia todo o acesso de dados do sistema operativo e de todas as outras aplicações do smartphone, mas permite a utilização básica e mais importante que é a troca de mensagens. É ainda, um bom pretexto para se desligar do resto.

Neste segundo dia da Web Summit encontrámos três outras boas ideias (portuguesas) que pode conhecer nesta e nesta entrevista em vídeo.

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