Cristo Redentor passa o chapéu

Arquidiocese do Rio, responsável pelo monumento, pede ajuda aos fiéis para manter a estátua

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O arzebispo do Rio, Orani Tempesta, no lançamento da campanha para arrecadar fundos. MARCELO SAYÃO EFE

A crise financeira enfrentada pelo Rio de Janeiro , onde os servidores públicos já ameaçam parar de trabalhar se não receberem os salários em dia, alcançou uma das Sete Maravilhas do Mundo moderno.

A Arquidiocese do Rio, responsável pela conservação do Cristo Redentor, pede ajuda e convoca os fiéis e os nem tão fiéis — empresários e moradores solidários — para que façam suas doações. Afirma que não tem dinheiro suficiente para manter os gastos relacionados com a estátua de 30 metros de altura, que chegam a 30 milhões de reais por ano. O monumento, por exemplo, é um ímã para as descargas elétricas nos dias de chuva e precisa de reparações constantes, assim como de um novo sistema de para-raios.

A crise está secando todas as fontes de financiamento. As empresas que colaboram com a conservação de uma das estátuas mais famosas do mundo estudam não realizar novos investimentos, a Igreja não consegue novos sócios, e o dízimo está em seus patamares mínimos. Os fiéis sentem a crise, disse o padre Marcos William, coordenador de comunicação da Arquidiocese, a O Globo. “A verba da Igreja, o dízimo, também diminuiu consideravelmente. A queda já é notada em todas as paróquias”, afirmou.

Não deixa de surpreender que o monumento mais visitado do Brasil, com três milhões de visitantes por ano, peça esmola. A entrada ao Cristo Redentor não é barata (68 reais em temporada alta e finais de semana). Parte desse dinheiro vai para os cofres do Governo Federal, gestor do Parque Nacional da Tijuca, onde está o santuário e outra parte é destinada à concessionária de transporte que leva os turistas de vários pontos da cidade ao pico do cerro, 710 metros acima do nível do mar. A Arquidiocese não ganha um centavo, afirma, desse negócio milionário.

O administrador do Parque, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), dependente do Ministério de Meio Ambiente, afirmou após o apelo dos padres que há discussões para que seja firmado um novo acordo — o atual é de 1981 — e inclusive se ofereceu para fazer a manutenção da estátua.

Não é a primeira vez que o Cristo Redentor apela à caridade. Na verdade, vive há 85 anos das contribuições de empresas, fiéis e eventos realizados (casamentos, batizados e comunhões) na capela localizada na base da estátua. Sua construção, de fato, não teria sido possível sem a ajuda de doações populares arrecadadas durante duas campanhas, em 1923 e 1929.

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