Como aprender a reconhecer um terrorista no aeroporto

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Dois dos suspeitos dos ataques no aeroporto de Bruxelas usavam apenas uma luva numa das mãos
Sinais suspeitos como um passageiro que leva apenas uma luva numa das mãos ou alguém que está a ler a revista Inspire devem chamar a atenção. PSP está a dar formações.

Aprender a identificar um terrorista que esteja misturado no meio do público do aeroporto pode evitar que o suspeito realize um ataque à bomba. “Como a PSP não pode estar em todo o lado, queremos que os funcionários dos aeroportos, mas também os passageiros, estejam atentos a comportamentos que saem do padrão”, adiantou, em declarações ao DN, o comandante da Divisão de Segurança Aeroportuária da PSP de Lisboa, Dário Prates, na sequência de uma apresentação que fez sobre o tema na 5ª Conferência de Segurança, no Estoril.

Considerando que as áreas públicas dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro são soft targets (alvos com medidas de segurança reduzidas) – e que são estes os alvos preferenciais dos terroristas, segundo o oficial – há determinados detalhes que se devem comunicar logo à polícia. “Por exemplo, um passageiro que circula com o carrinho de transporte de bagagem e só tem uma luva calçada numa das mãos. É um comportamento fora do padrão”, refere o intendente Dário Prates. “Nas imagens da videovigilância que foram divulgadas com os autores dos atentados de Bruxelas, cada um deles mostra uma luva numa das mãos e a outra mão a descoberto, o que denunciou a intenção de esconder algum artefacto na luva”.

Desde o final do ano passado, no pós-atentados de Paris, em novembro de 2015, que a PSP tem vindo a ministrar ações de formação a funcionários dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro sobre os sinais que ajudam a identificar alguém que já está na fase final do processo de radicalização jihadista: a de cometer o ato terrorista.

Outro indicador relevante, segundo Dário Prates, é o do passageiro que esteja a ler as revistas online Inspire ou Dabiq num portátil, enquanto espera pelo voo. Ou então que tenha umas impressões de artigos de uma destas publicações na bagagem. “A Inspire é associada à Al-Qaeda e a Dabiq, que tem o nome de uma vila na Síria, associada ao ISIS ou Estado Islâmico. São revistas que ensinam a fazer bombas e a matar”, frisa o comandante da PSP no aeroporto de Lisboa.

Um comportamento que também pode chamar a atenção de utilizadores e funcionários aeroportuários é o de um passageiro, nacional ou estrangeiro, que comece a fazer muitas perguntas sobre “o sistema de segurança do aeroporto ou determinadas atividades que o aeroporto tenha”.

Radicalização de funcionários

Atualmente, a PSP do aeroporto de Lisboa também está preocupada com o processo de radicalização jihadista e a forma como este já chegou a pelo menos um funcionário aeroportuário no Reino Unido. A 8 de outubro o jornal britânico Express noticiou que um funcionário da área de bagagens de um aeroporto do Reino Unido (não foi revelado qual) tinha uma bandeira do Estado Islâmico escondida no interior da sua luva de trabalho. Surgiram então receios no país de que pudessem existir mais trabalhadores aeroportuários radicalizados. “É uma preocupação que temos de ter todos, a nível europeu, a de que possa haver uma radicalização de trabalhadores dos aeroportos”, comentou o intendente da PSP.

Os alvos preferidos

Segundo adiantou o oficial na conferência do Estoril, alvos com medidas de segurança reduzidas (soft targets), como as zonas públicas dos aeroportos, os hotéis, restaurantes ou espaços comerciais, são “preferenciais dos terroristas em 75% dos casos” recentes. Isto contra os 25% de ataques em hard targets (com fortes medidas de segurança), como sejam as zonas reservadas dos aeroportos, edifícios governamentais ou embaixadas, por exemplo.

“O aeroporto de Lisboa, apesar de ter zonas consideradas hard targets, tem uma parte do espaço, de acesso público, composto por soft targets“.

fonte:dn.pt

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