Co-sleeping, dormir juntos e felizes

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Dormir juntos faz bem? É perigoso? Vamos ver o que falam os especialistas: este assunto tem muitos pré-julgamentos; até anos atrás, os pediatras não recomendavam dormir juntos e nos palpites que a mãe sempre recebe de outros amigos ou familiares tem sempre alguém quem fala que dormir junto pode criar um vício, que é uma coisa que não se faz, que não é recomendável para a autonomia da criança e para o casal. Estes palpites fazem os pais se sentirem inadequados. Mas é assim mesmo? Vamos avançar além dos pré-julgamentos trazendo informações adequadas para que cada família possa escolher livremente a melhor modalidade de descansar, porque o sono da mãe e do pai são fundamentais para cuidar bem e com amor seus filhos, especialmente quando a mãe, durante o dia, tem outras tarefas a assumir: trabalho, casa, outros filhos.

As pesquisas científicas sobre este assunto estão em evolução, mas podemos dizer que existe uma tendência natural e genética para dormir juntos com o nossos filhotes. Na verdade, na maioria das culturas do mundo, isto acontece regulamente e faz parte de um cuidado natural dos filhos baseado no instinto de proteção e amor empático. O habito de deixar dormir os bebes sozinhos no quarto é um hábito recém  introduzido em nossa sociedade industrial e que põe no centro o adulto chamado a produzir e consumir e não a criança com as suas necessidades, que se baseia sobre a cultura de descarte e não do contato e que implica as crianças a se adequarem rapidamente ao ritmo dos adultos. A psicóloga perinatal, a italiana Alessandra Bortolotti, autora do belíssimo  livro “Os filhotes não dormem sozinhos”, evidência que na nossa sociedade existe o tabu do contato e que este condiciona fortemente os relacionamentos com os nossos filhos. Este fato influencia, ainda hoje, os modelos educativos dos pais baseados na idéia que os bons filhos são os que dormem a noite inteira. Os relacionamentos pais e filhos sobre o descarte e a independização dos bebes ao invés da empatia, do compartilhamento afetivo e do contato. “O maior equívoco da nossa cultura é isto: acreditar que existam métodos para transformar em “bons” todas.  (…) Reconhecer nosso filho como uma pessoa já a partir da vida intrauterina significa aceitar a sua individualidade específica e considerar  a sua dimensão afetiva como o núcleo da sua futura capacidade de relacionamento”.

O que significa co-sleeeping?

Co-sleeping  significa sono compartilhado, onde a mãe fica próximo do filho para poder dar atenção durante a noite. O co-sleeping pode ser feito em muitas formas: bed sharing  quando se divide a cama, room sharing quando estão no mesmo quarto, side-bed ou agarradinho  quando a mãe coloca uma caminha junta daquela dos pais. Qualquer escolha que os pais façam não è fácil ir contra a corrente!  Muitas são as famílias que escolhem de dormir juntos com os próprios filhos e muitas são aqueles famílias que não admitem  isto para não ser objeto de crítica dos outros. Como afirma Sears “o fato de aceitar as necessidades da criança ajuda a ter consciência que não estamos mimando!” o mesmo autor que escreveu o belíssimo livro “Pais de dias e noites” fala de como dormir  juntos  ajuda na prevenção da SIDS (Sudden infant death syndrome ) no berço dos recém nascidos.

Vamos ver os efeitos protetivos do dormir juntos indicados no livro de Bortolotto “E se pega o vício?”:

– proteção imunológica: o sono compartilhado determina mais mamadas noturnas que reforçam o sistema imunológico da criança;

– aumentos dos hormônios: a amamentação noturna estimula a produção da prolactina que aumenta a sensibilidade da mãe com a criança;

– harmonia da respiração: a mãe funcionaria como ritmo de respiração para o bebê como acontecia na gravidez;

– o tato como aliado na respiração: a pele com as suas terminações nervosas estimulam a respiração do bebê que esta em contato com a mãe;

-mais sono em fase REM: as crianças que dormem com os pais passam mais tempo na fase REM, assim a concentração de oxigênio no sangue fica mais alto e as reações, em caso de acordar por causa dos problemas respiratórios, mais eficazes;

-regulação térmica: o calor do corpo da mãe ajuda a criança a regular a sua própria temperatura;

– diminui o risco da morte no berço porque a presença da mãe ajuda na regulação das funções biológicas do filho;

Em geral os bebês dormem melhor porque se sentem amados e cuidados, dia e noite: quando os bebês chegam perto dos oitos meses eles começam a experimentar a famosa ansiedade da separação e muitas vezes acordam para controlar que a mãe esteja  perto e querem ser tranquilizados.

Mas para dormir juntos com os bebês precisamos seguir algumas regras:

– ter uma grade de proteção na cama;

– colocar o bebê de preferência no lado externo da cama próximo da grade, no meio dos pais pode ter excesso de calor;

– deixar o bebê dormir de barriga para cima (sempre também no seu berço)

– não dormir juntos se os pais: bebem álcool, fumam, tomam tranquilizante ou remédio para dormir;

E as mães conseguem dormir bem juntos com os seus filhos? Junto uma pesquisa recém-realizada pela UNICEF (Quillin SI and Glenn LL., Interaction between feeding method and cosleeping on maternal-newborn sleep, “J Obstet Gynecol Neonatal Nurs”); as mães que amamentam  dormem mais quando dormem juntos com os bebês. Pessoalmente, comecei a dormir melhor quando coloquei minha filha junto comigo (escrevei a minha experiência no post Onde fazer dormir o bebê?)

Dormir junto vicia o bebê? Também este palpite não encontra respaldo na literatura cientifica. As pesquisas mostram exatamente ao contrário. Também o pediatra Gonzales no livro “Besame mucho” afirma: “ Não conheço alguma razão para que se precise prestar atenção aos nossos filhos durante o dia e não à noite (..) nossos filhos estamos geneticamente preparados para dormir juntos. Para um animal o sono é um momento de perigo, nossos genes nos mantém acordados quando nos sentimos ameaçados e a dormir só quando nos sentimos seguros”.

Bibliografia

Alessandra Bortolotto “E se poi prende il vizio? Pregiudizi culturali e bisogni irrinunciabili dei nostri bambini”, il Leone Verde, 2010.

Alessandra Bortolotto “I cuccioli non dormono da soli. Il sonno dei bambini oltre i metodi e i pregiudizi”, Mondadori 2016.

Gonzales, Besame Mucho. Como Criar os Seus Filhos com Amor, Editoratimo.

 

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