Casas vendem-se hoje duas vezes mais depressa do que em 2014

Vender uma casa demora hoje, em média, sete meses. Há apenas três anos demorava o dobro, de acordo com dados da Imovirtual

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Hoje, com a febre do imobiliário ao rubro, vender uma casa demora, em média, apenas sete meses; há apenas três anos eram precisos 14 meses para que um imóvel encontrasse um novo dono. E no início de 2013, em pleno rescaldo da crise financeira, uma casa tinha de estar no mercado 16 meses antes de mudar de mãos, de acordo com dados do Imovirtual a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso.

“As vendas estão a crescer ao ritmo de mais de 30% ao ano. Há uma forte procura – os bancos estão de novo a conceder crédito e as taxas de juro estão a mínimos históricos e, com o fim da austeridade, a confiança dos investidores voltou”, explicam as agências imobiliárias. Nos primeiros seis meses deste ano venderam-se quase 80 mil casas. Um boom alimentado ainda pelo fenómeno do alojamento local e pelo grande interesse de compradores estrangeiros, muitos franceses e brasileiros.

Com estes números, não surpreende que os imóveis se vendam cada vez mais depressa. Há casos em que nem é preciso esperar tanto para vender uma casa. Na Remax, uma das três grandes imobiliárias a atuar em Portugal, os T2 e T3, com valores de 131 716 euros e 169 551 euros, precisaram, de acordo com dados de julho, de apenas 98 dias para ser vendidos. É pouco mais de três meses.

O preço das casas em Portugal continental subiu 6,2% no primeiro semestre de 2017; mas na cidade de Lisboa o aumento é de 24%

Lisboa, Porto e Faro são as cidades onde a procura de casas é mais forte. Mas, neste ano, “o melhor para o imobiliário desde 2010”, também Setúbal e Braga, que ainda oferecem uma boa relação qualidade-preço, estão a atrair cada vez mais compradores. A primeira está a ser “invadida” por franceses; a segunda está a beneficiar do polo tecnológico da Universidade do Minho.

E até o arrendamento está a sair a ganhar com o maior dinamismo na compra/venda de casas. O Market Index da Imovirtual, que reúne a opinião de mediadores, consultores ou empresas de gestão e administração de imóveis, mostra ainda que o tempo que demora a arrendar uma casa está a descer rapidamente, apesar de, nos grandes centros urbanos, ser difícil encontrar uma casa para arrendar a preços razoáveis. Em março desde ano eram precisos apenas 2,8 meses de colocação no mercado para se encontrar um novo inquilino, menos dois meses do que em 2014.

Preços preocupam

O forte crescimento do mercado está a ser acompanhado por um aumento elevado dos preços e algumas imobiliárias alertam já para os riscos. “Os preços devem crescer entre 5% e 7% ao ano para ter um mercado saudável. Não mais do que isso”, adiantou ao DN/Dinheiro Vivo Rafael Ascenso, CEO da Porta da Frente/Christie’s.

Valores que estão longe dos verificados em algumas zonas do país, como a Grande Lisboa ou o Algarve, onde o preço das casas avançou 15% no primeiro trimestre do ano. Só na cidade de Lisboa a subida foi de 24,3%; em Cascais os preços subiram 18,3% e 13,6% em Oeiras, mostra a Confidencial Imobiliário.

Mas não só nas grandes cidades: os preços das casas estão a crescer em 95% dos concelhos do país, com a subida média nacional a fixar-se em 6,2%. “Até agora, o mercado apresentava um comportamento assimétrico dos centros históricos de Lisboa e Porto e do Algarve, impulsionados pela procura internacional e pelo turismo. Em 2016, esta realidade começou a mudar, sobretudo devido à retoma do crédito hipotecário, que só em março deste ano atingiu 720 milhões de euros de novos empréstimos concedidos, ou seja, cinco vezes mais do que em fevereiro de 2013. O crescimento de construção nova também está a impulsionar esta valorização mais generalizada”, referiu Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário.

“Estamos a captar mais estrangeiros porque temos preços competitivos, mas se os valores continuarem a escalar perdemos essa competitividade”, realça Rafael Ascenso, que espera “que o mercado não continue a crescer ao ritmo dos últimos dois a três anos”.

O mesmo repete Ricardo Sousa, da Century 21, que apela a preços mais competitivos, até porque “um imóvel de preço mais elevado acaba por ficar mais tempo à venda”.

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