Bruxelas deve financiar diretamente as startups?

Carta aberta pede que Bruxelas passe a investir no ecossistema. Comissão Europeia vai reforçar programas de empreendedorismo.

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O financiamento é uma das principais dificuldades das startups europeias em comparação com as startups norte-americanas. Em 2016, os investidores de capital de risco investiram cerca de 6,5 mil milhões de euros na UE, contra 39,4 mil milhões de euros nos EUA. Para resolver esta situação, 15 personalidades ligadas ao empreendedorismo enviaram uma carta aberta a pedir que Bruxelas deixe de investir diretamente nas startups – a partir do programa SME Instrument – e passe a financiar o ecossistema. Apesar de reconhecer mérito à carta aberta, Bruxelas vai manter o atual sistema de apoio às startups. Simon Schaefer, da Startup Portugal, é um dos 15 subscritores. “Há muito financiamento que não está a ser colocado nos sítios certos e isso acaba por resultar num desperdício de dinheiro. Não devem ser os Governos, mas sim os investidores profissionais a decidirem para onde vai o dinheiro, porque não têm conhecimento para tal”, sustenta ao Dinheiro Vivo o líder da entidade que executa a estratégia de empreendedorismo do Governo português. O alemão refere-se aos pontos dois e três da carta aberta enviada à Comissão Europeia e que tem Carlos Moedas como um dos destinatários. “Mais do que proporcionar capital diretamente às startups, o financiamento europeu deve ser investido em fundos de capital de risco direta ou indiretamente”, refere a missiva. Em alternativa, estes fundos públicos só poderão investir diretamente em startups em conjunto com fundos privados e aceleradores, como o Yozma [Israel] e o 200M [Portugal].” A Comissão Europeia, de forma indireta, está a responder à carta aberta. Esta terça-feira anunciou o VentureEu, programa que estabelece um fundo de fundos de capitais de risco pan-europeu para estimular o investimento em empresas inovadoras em fase de arranque e em expansão em toda a Europa. Apoiados por financiamento da UE no montante de 410 milhões de euros, os fundos deverão mobilizar 2,1 mil milhões de euros de investimentos públicos e privados. Nuno Brito Jorge, fundador da plataforma de investimentos em projetos de energia sustentável Go Parity, reconhece mérito à carta aberta, mas considera que “o ecossistema de empreendedorismo só existe por causa das startups” e que o dinheiro da União Europeia “até acaba por chegar primeiro às empresas do que o financiamento privado”. O também consultor de Inovação refere ainda que “deve ser privilegiado o co-investimento para garantir que há dinheiro privado a ser investido nas startups“. A UE disponibilizará investimentos de base num montante de 410 milhões de euros, dos quais  200 milhões de euros provêm do Horizonte 2020 (o programa europeu de financiamento da investigação e inovação), 105 milhões do programa COSME (programa europeu para as pequenas e médias empresas) e 105 milhões do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE) – o chamado Plano Juncker – incluindo 67 milhões de euros de recursos próprios do FEI. O restante financiamento será angariado pelos gestores de fundos selecionados, principalmente entre investidores independentes.

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