As ideias geniais de quem fez nascer 18 startups

Das suas resoluções para 2018 fez parte ter “a” ideia que vai mudar a sua vida? Então inspire-se nos fazedores destas 18 startups

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“Não é fácil falar de uma melhor ideia quando se vive de ter ideias,” começa Rodrigo Moreira Rato, da MeshApp, uma plataforma que cria sites sem recorrer a programadores. Contudo, o fazedor recorda a sua primeira grande epifania, em 1999, quando comercializava garrafas de vinho com rótulos personalizados. “Como íamos mudar de milénio lembrei-me de vender ar nas garrafas em vez de vinho”, explica. “Juntamente com a garrafa cheia de ar, ia um postal que dizia: dentro de dias o ano vai passar e nunca mais poderá respirar o ar de um milénio que vai acabar”. A ideia valeu-lhe um aumento nas suas margens absolutas.

Quem cria uma empresa, sobretudo startups em áreas tecnológicas, secretamente costuma aspirar a que o seu projeto se venha a revelar o Facebook do futuro. Contudo, são as pequenas mudanças no dia-a-dia, vindas de ideias aparentemente banais, as que na maioria das vezes acabam por conduzir aos maiores sucessos. “A minha melhor ideia foi mudar-me para Lisboa, já há 3 anos”, assegura Jaime Parodi Bardón, da Viable. “Trocar de PC para MAC”, responde João Bernardo Pereira, da Book in Loop. “Ir estudar para a Índia e depois viajar pelo mundo, por alguns meses, para aprender com nómadas digitais,” acredita Tomasz Wladzinski, da Placeme.

Alguns fazedores das 18 startups que falaram com o Dinheiro Vivo assumem, contudo, que as suas melhores ideias foram as que os conduziram às empresas onde estão atualmente. Mesmo quando, por vezes, nada o fazia prever à partida. “A minha melhor ideia foi ter decidido ter os meus dois filhos, pois foi com o seu nascimento que percebi o potencial do mercado infantil”, conta Nuno Pinto, da Kide. “Abandonar uma carreira de 16 anos na Nokia por um sonho de longa data, criar a minha própria empresa. Foi a melhor decisão da minha vida”, indica João Feliciano, da Climber Hotel. “Foi ter frequentado um mestrado em Carnegie Mellon, onde conheci o Nuno [Loureiro], com o qual fundei a Probe.ly,” afirma Tiago Mendo.

Há vários anos que investigadores tentam desvendar o processo da criatividade e descobrir o que nos faz ter boas ou más ideias. Na obra Technique For Producing Ideas (sem edição em português), cuja primeira edição foi lançada em 1965, James Webb Young explica que mais do que procurar ideias (como se elas estivessem em algum local específico), se deve treinar a mente para as produzir. No mesmo sentido, Linus Pauling, vencedor de dois prémios Nobel, o da Química e o da Paz, afirmava que para ter boas ideias, é preciso ter muitas e saber descartar as que são más.

Vários dos fazedores com quem falámos assumiram que a melhor ideia que alguma vez tiveram foi a criação da própria startup em si. Foi essa a resposta dos fundadores da Primetag, da Landing Jobs, da Storytellme e da Displr. “Se tivesse de enumerar a ideia mais poderosa que já tive oportunidade de explorar, essa foi sem dúvida a que motivou a criação da Displr”, assegura Rui José.

Há outros que preferem ser mais específicos e elegem pequenos detalhes que acabaram por se revelar cruciais para o sucesso da empresa. Participar num programa de aceleração com imersão no ecossistema de startups dos Estados Unidos foi essencial, acredita Raphael Stanzani, da Connect Robotics. Já David Barroso, CEO da Findster, sublinha que tudo tem a ver com a equipa. “Para mim, a melhor ideia foi juntar a melhor equipa de eletrónica e informática em Portugal”. André Roque, da Homeit, concorda. “A minha melhor ideia foi colocar tempo e esforço na criação de uma equipa da qual todos nos orgulhamos”. Noutro sentido, José Ruivo, da Noocity, prefere eleger a simplificação, como forma de chegar ao sucesso. “Descomplicar! Comunicar de forma clara, simples e direta seja do ponto de vista do produto como da própria atividade”. Hugo Menino Aguiar fala antes de potenciar modelos de crescimento. Para ele, a melhor ideia foi “criar o nosso modelo de social franchising: sistematizar todos os processos e criar uma tecnologia que permita a qualquer empreendedor social ou organização criar o Speak na sua cidade”. Mariana Bettencourt, da Sparkl, refere a importância de se conhecer o negócio. “A melhor ideia foi testar o mercado antes de começar a desenvolver um sistema de agendamento”, acredita.

Mark Zuckerberg diz que é errado achar que os grandes projetos nascem sempre de grandes ideias. “Os filmes e a cultura pop não sabem como funciona. A ideia de um simples momento eureka é uma mentira perigosa”, afirmou o criador do Facebook durante um discurso em Harvard, no ano passado. Pedro Branco, da Magikbee, também acha que o foco maior não se deve ser nas ideias. “Mais importante do que a ideia é a execução.” Startups.

O clube das 18. Vieram para ficar, garantem

-Sparkl

Foi uma das mais recentes startups vencedoras do programa Lisbon Challenge, da Beta-i. Fundada por Mariana Bettencourt e Filipa Mascarenhas é uma empresa de serviços de beleza ao domicílio, que “nasceu numa conversa de amigas”.

-Climber Hotel

Recomenda o melhor preço a que os hotéis devem vender os seus quartos. “A Climber liga-se ao sistema de reservas de um hotel e correlaciona com a procura que se verifica na cidade”, explica Mario Mouraz, que vai já na sua terceira empresa. João Feliciano é o outro co-fundador.

-Speak

A Speak é uma empresa social, de partilha de culturas e aprendizagem de línguas online. “Este modelo de intervenção social derruba barreiras, promove a diversidade, igualdade, compreensão intercultural e democratiza a aprendizagem de línguas”, asseguram os fundadores Hugo Menino Aguiar e Mariana Brilhante.

-Storytellme

Fundada por Teresa Valente, Céu Ferreira e Adalberto Barata e incubada na Startup Lisboa, a Storytellme edita livros infantis personalizados. “Ainda sem financiamento ou investimento externo, operamos em Portugal e pretendemos escalar rapidamente para a Europa”, assumem.

-Viable

A plataforma da Viable verifica, através da análise de dados, se o modelo de negócio de uma startup é ou não viável. Foi fundada por Jaime Parodi Bardón e José García Alonso.

-Magikbee

“Estamos a reinventar a forma como as crianças aprendem e brincam com dispositivos digitais”, explicam Hugo e Ribeiro e Pedro Branco, fundadores da Magikbee, incubada na Startup Braga, que usa brinquedos físicos que interagem com o virtual.

-Findster

A Findster, criada por David Barroso, Virgílio Bento e Paulo Fonseca, desenvolveu um sistema de localização para animais. “Nasceu através do Aquiles, um cão de montanha dos Pirinéus, com muita personalidade e que insistia em fugir sempre”.

-Displr

É uma plataforma para espaços públicos que permite combinar a utilização de ecrãs públicos, redes sociais e interação móvel. Fundada em 2013 por Rui José, Bruno Silva e Pedro Barroso, resulta de um spinoff de um projeto da Universidade do Minho.

-Kide

É uma plataforma de moda infantil. “Nasceu precisamente para ajudar os pais a terem o melhor para os seus filhos, de uma forma rápida, conveniente e super exclusiva”, indica o fundador Nuno Pinto.

-Placeme

Da Polónia chega a Placeme, que participou em programas de aceleração da Beta-i. Fundada por Hubert Guzera, Maciej Remiszewski e Tomasz Władziński utiliza ferramentas digitais para descobrir qual a melhor localização para abrir uma loja.

-Homeit

Foi notícia no ano passado ao arrecadar um financiamento de 250 mil euros em tempo recorde na Seedrs. Fundada por André Roque, Pedro Viana e Pedro Mendes, desenvolve ferramentas de apoio ao alojamento local.

-MeshApp

António Simões de Almeida e Rodrigo Moreira Rato criaram a MeshApp. “Com a nossa startup os marketers criam, de forma rápida, ágil e escalável, novos canais de comunicação com os seus públicos alvo”, explicam os fundadores.

-Noocity

Do Uptec, no Porto, chega a Noocity, empresa que desenvolve produtos de agricultura urbana doméstica. A ideia surgiu em 2013, quando José Ruivo, Pedro Monteiro e Samuel Rodrigues resolveram montar uma horta no pátio do prédio no centro da cidade.

-Landing jobs

“Nasceu por mera coincidência” esta plataforma de recrutamento, quando os dois fundadores, José Paiva e Pedro Oliveira, foram apresentados por um contacto comum para ajudarem a sua empresa a resolver os seus desafios de recrutamento de engenheiros informáticos recém-licenciados.

-Connect Robotics

A Connect Robotics oferece um serviço de transporte por drones. Foi fundada por Eduardo Mendes e Raphael Stanzani.

-Primetag

Manuel Albuquerque e Paulo Gaspar fundaram a Primetag. “é uma plataforma que serve como ponto de encontro entre marcas e influenciadores e lhes oferece as ferramentas necessárias para crescer os seus negócios online”, explicam.

-Probe.ly

Tiago Mendo, Nuno Loureiro, Bruno Barão, Hugo Castilho, João Poupino, vencedor do prémio Caixa Capital do ano passado, e que ajuda a detetar problemas de segurança em aplicações web.

-Book in Loop

Com esta startup, o objetivo de João Bernardo Parreira, Manuel Tovar e José Pedro Moura foi “criar um sistema organizado que permitisse a todas as famílias a venda de manuais escolares, em condições de reutilização, assim como a sua compra”.

Booking.com

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