Área Metropolitana de Lisboa com plano sobre alterações climáticas

Os 18 municípios que integram a Área Metropolitana de Lisboa (AML) apresentaram hoje o Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas, que se prevê estar no terreno em 2019, com especial enfoque na eficiência energética e nos transportes.

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“As alterações climáticas são um desafio do presente, não são futuro, nem são um risco. São uma realidade e, perante esta, temos duas escolhas possíveis: podemos sofrer, não fazendo nada, ou enfrentar o problema”, disse o presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa, Fernando Medina, que é também presidente da Câmara Municipal de Lisboa, durante a apresentação do plano, no Pavilhão do Conhecimento.

Para o governante, “a vitória ou a derrota” contra os efeitos das alterações climáticas “joga-se nas áreas metropolitanas”, sendo os eixos da eficiência energética e dos transportes os que “mais contribuem” para as emissões poluentes.

“Dentro dos países desenvolvidos, apenas a Grécia é pior do que Portugal no que diz respeito à mobilidade nas áreas metropolitanas. As necessidades de mobilidade do cidadão são hoje predominantemente satisfeitas pelo transporte individual e não coletivo, o que aumenta os níveis de emissões”, apontou Fernando Medina.

O autarca assumiu a dificuldade em assegurar uma rede de transportes públicos em que a população confie, mas sublinhou que os municípios irão fazer “dos transportes públicos a espinha dorsal do sistema de mobilidade das áreas metropolitanas”.

“Temos de ter um sistema de transporte público que seja eficaz, credível e, acima de tudo, acessível economicamente, para que as pessoas possam fazer uma transferência do que é o seu meio de transporte, individual, e possam dizer que confiam no transporte público. […] É uma tarefa de uma grande complexidade, mas é, sem dúvida, a tarefa mais importante em que os municípios, neste momento, estão empenhados”, assegurou.

A proposta para o plano metropolitano divide o trabalho em três fases, a primeira das quais teve início no dia 01 de fevereiro e terminará a 31 de julho deste ano, com um relatório inicial com contextualização, objetivos e metodologia.

Ainda durante este ano, na segunda fase do plano, entre 03 de maio e 22 de dezembro, deverão ser avaliados os impactos e vulnerabilidades atuais e futuras dentro da AML.

A terceira fase, que se desenvolverá já em 2019, entre 01 de janeiro e 31 de julho, será dedicada à definição de medidas de adaptação à escala metropolitana e concelhia, bem como ao planeamento municipal e intermunicipal e à definição dos instrumentos de monitorização deste plano.

“Apelo a que este estudo se traduza numa mobilização coletiva da sociedade e dos agentes, para a implementação das ações concretas que precisamos de levar a cabo. No combate às alterações climáticas não há soldados a mais, há soldados a menos”, disse Fernando Medina.

Recordando o aumento da temperatura média do globo e os esforços que têm vido a ser feitos, através de acordos internacionais em matéria de ação climática, Fernando Medina assumiu a “urgência de agir”.

“Ainda não há evidência científica que nos mostre que estamos a conseguir conter o aumento da temperatura média do globo, na casa dos dois graus centígrados. Por isso, estamos no momento da escolha – uma escolha política dos cidadãos, dos partidos, dos dirigentes públicos. A verdade é que dentro desta opção política temos de ser claros: a humanidade não está a ganhar esta batalha”, acrescentou.

As entidades responsáveis pelo Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas, entre elas o Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, foram selecionadas em resultado de um concurso público lançado no final de 2017, contando com a participação de especialistas do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

Irão ser analisadas as áreas da agricultura e florestas, biodiversidade, economia, energia, recursos hídricos, saúde humana, segurança de pessoas e bens, transportes e comunicações, e zonas costeiras.

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