Aeroporto no Montijo? “Não decidimos em cima de folhas em branco”

Apesar de tudo apontar para que a extensão do aeroporto Humberto Delgado venha a nascer na margem Sul, o Ministro do Planeamento e Infraestruturas diz que cabe à ANA Aeroportos "apresentar uma proposta final".

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© Global Imagens

O Governo afirma já ter feito o ‘trabalho de casa’, faltando por isso à ANA – Aeroportos de Portugal (gerida pela Vinci Airports) apresentar uma solução que viabilize o já idealizado aeroporto do Montijo, que funcionará em grande parte como uma ‘extensão’ do aeroporto Humberto Delgado.

Numa entrevista à RTP, o ministro do Planeamento e Infraestruturas garantiu que o Executivo já tem todas as questões necessárias acauteladas, mas que “não decidimos em cima de folhas em branco”, isto é, sem que a ANA resolva o impasse que ainda persiste.

“O anterior governo celebrou um contrato de concessão – no contexto de privatização da ANA – em que optou por receber, à cabeça, três mil milhões de euros por conta do valor económico da empresa. Normalmente, quando se desenvolvem privatizações ou concessões deste género, esses valores servem para financiar uma infraestrutura aeroportuária”, explicou Pedro Marques, acrescentando que “não foi o que aconteceu”.

O impasse existente neste momento, diz, deve-se ao facto da ANA ter “um contrato com o Estado que não a obriga a pagar do seu lucro e dos seus recursos, o novo aeroporto”, sobrando a hipótese de financiar o novo aeroporto “com base nas receitas aeroportuárias”, proposta essa que tem sido mantida pelo Partido Comunista mas que só seria viável se essas mesmas taxas fossem duplicadas, e isso só “faria com que perdêssemos competitividade” e deixava “em crise” o “objetivo ambicionado de desenvolvimento do país e da região metropolitana”.

Isso leva o ministro a relembrar que, “tendo sido feita essa opção de receber o tal dinheiro à cabeça, temos de tomar a melhor decisão que garanta sustentabilidade e durabilidade financeira”, e o aeroporto do Montijo continua a parecer promissor “se nós pensarmos que o que está previsto é que, após uma década da construção do aeroporto, possamos ter um transporte entre 8 a 10 milhões” para e a partir do Montijo.

“O que podemos dizer é que o trabalho que fizemos até agora nos permite pedir à ANA que nos apresente uma proposta final”, reiterou o ministro, reforçando que ainda decorrem avaliações e estudos para apurar os impactos ambientais desta infraestrutura. “Queríamos ter um aeroporto em construção em 2019 e concluído em 2021”, disse ainda.

Articulação entre o Montijo e Lisboa

Confrontado com o facto do novo aeroporto vir a dificultar a circulação entre a capital e a margem Sul, Pedro Marques adiantou que já estão pensadas pelo Executivo maneiras de colmatar a forte afluência populacional entre as duas regiões, especialmente em horas de ponta.

“Vamos apostar fortemente no transporte fluvial, reforçando a oferta fluvial de transportes para uma estação de Lisboa que esteja imediatamente servida pelo Metro”, sustentou, dizendo ainda que em cima da mesa está também “a possibilidade de uma ferrovia ligeira na ponte Vasco da Gama”. “Pode ser um elétrico de alta capacidade que possa servir uma ligação entre os dois aeroportos”, explicou.

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