A luva que nos permite tocar em Marte

"Sentir o bater de asas de uma borboleta na ponta dos dedos". A frase parece um poema. Mas não é um verso, é o exemplo que Luís Castillo dá para destacar as incríveis possibilidades da Gloveone, uma luva para ser usada com programas de realidade virtual e que permite ter a ilusão de tocar nos objetos com os quais se interage.

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“Começámos em 2014 a inovar na área da saúde, com realidade virtual, em deficiências neurológicas ou problemas de Alzheimer com vários pacientes”, explica Castillo para justificar a origem da Gloveone. “E percebemos que, quando experimentavam a realidade virtual, a primeira coisa que as pessoas faziam era tentar interagir com os objetos que apareciam através dos óculos. E o facto de não o poderem fazer deixava-os aborrecidos com toda a experiência. Assim, descobrimos essa grande lacuna: o sentido do tato, o possibilitar que sentissem o que estavam a ver.” Gloveone é o produto que deu a conhecer a Neurodigital, uma empresa de Almeria fundada por Castillo, engenheiro informático, e Francisco Nieto, doutor em Neurociência. A evolução háptica (relativa ao sentido do tato) é a próxima fronteira que a realidade virtual tem de enfrentar: dominar as possibilidades óticas e acústicas, controlar o tato – um sentido muito mais complexo – permitirá multiplicar e aumentar o desempenho das aplicações de realidade virtual. Nesse sentido, a Gloveone foi um avanço espetacular, já que o utilizador não só sente o peso ou a textura do que está a tocar no mundo virtual, mas também vê as suas próprias mãos enquanto manipula os objetos. O seu próximo projeto, o Avatar VR, que, além das luvas, inclui bandas diferentes que também enviam e recebem informações, é mais um passo no futuro da realidade virtual: “é erradicar qualquer tipo de suporte intrusivo”. Castillo crê que muito em breve poderemos ter experiências completamente imersivas sem a necessidade de luvas, capacetes ou fatos, bastará uns adesivos com sensores. Com essa evolução na realidade virtual, “os limites não serão marcados pela tecnologia, mas pelo que somos capazes de imaginar”.

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