6 factos que deve conhecer sobre o Cemitério dos Prazeres

Mário Soares junta-se, a partir desta terça-feira à tarde, a outras figuras portuguesas de destaque, nos Prazeres. É um cemitério que se cruza com a História de Portugal.

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Com mais de 12 hectares, estão espalhados mais de 7.000 jazigos pelo Cemitério dos Prazeres MICHAEL M. MATIAS /OBSERVADOR

A partir desta terça-feira à tarde, o corpo do ex-Presidente da República Mário Soares junta-se a outras figuras portuguesas de destaque no Cemitério dos Prazeres, onde será enterrado no jazigo de família.

O Cemitério dos Prazeres não é apenas mais um cemitério. Localizado na zona ocidental de Lisboa, é considerado o mais elitista dos cemitérios portugueses, onde estão enterrados grandes nomes da História de Portugal, atores, cantores, políticos e aristocratas. E, para além de cemitério, é considerado um museu ao ar livre — por conta sobretudo das obras arquitetónicas e da escultura funerária –, que pode ser visitado por qualquer pessoa, a título individual ou em visitas organizadas pela Câmara Municipal de Lisboa.

Leia, de seguida, seis curiosidades do Cemitério dos Prazeres.

Nascido para responder à epidemia da “cólera morbus”

O Cemitério dos Prazeres foi construído em 1833 para acolher as milhares de vítimas mortais da epidemia de “cólera morbus” que assolou Lisboa nesse ano. Por questões de saúde pública, foram naquela altura interditos os enterramentos em espaços religiosos, como era habitual. E, passados dois anos, em 1835, um decreto-lei veio reforçar esta determinação, regulamentando a interdição dos enterramentos em igrejas, conventos, ermidas e demais espaços religiosos. O cemitério, construído no lado ocidental de Lisboa, onde estavam os bairros das residências aristocráticas, acabou por se tornar o cemitério das famílias com mais poder e influência.

Maior mausoléu privado da Europa

Nos Prazeres existe o maior mausoléu privado da Europa: o Jazigo dos Duques de Palmela. Mandado construir em 1847, há quem lhe reconheça uma ligação à simbologia maçónica. Dentro do mausoléu está sepultada a elite dos criados e na capela, em forma de pirâmide, repousam os familiares e alguns amigos, com o duque de Palmela no centro. O jazigo tem cerca de 200 corpos e restos mortais da família e ainda dois padres amigos da família.

A maior concentração de ciprestes

No Cemitério dos Prazeres pode encontrar a maior e mais antiga concentração de ciprestes da Península Ibérica. Estas árvores vão dando cor ao espaço com mais de 12 hectares, onde estão espalhados mais de 7.000 jazigos, ao mesmo tempo que delimitam as ruas por onde se pode circular.

Cripta dos Bombeiros e capela com antigas salas de autópsias

Com uma das vistas mais privilegiadas do cemitério — virada para a ponte 25 de Abril e a margem sul do Tejo — encontra-se o talhão onde estão sepultados os Bombeiros Sapadores, espaço cedido pela Câmara Municipal para esse efeito em 1911. Aí se pode ver a Cripta dos Bombeiros Sapadores, inaugurada em 1878, projetada pelo arquiteto Dias da Silva, o mesmo que fez a Praça de Touros do Campo Pequeno.

É nessa capela que se pode ver as antigas salas de autópsias — onde se fizeram as primeiras autópsias fora do Instituto de Medicina Legal — e o acervo, onde se podem consultar registos antigos. É lá também que está instalado o Núcleo Museológico, com vários objetos de culto, como crucifixos, candeias e peças de cerâmica.

Ofélia Queiroz e Fernando Pessoa: juntos até depois da morte

É nos Prazeres que se encontram os restos mortais de Ofélia Queiroz, a única namorada que se conheceu a Fernando Pessoa. Curioso é que só foi descoberto depois de o próprio Fernando Pessoa ter sido trasladado dos Prazeres para os Jerónimos.

De Cesariny a Cesário Verde, de António Gedeão a Vasco Santana

Atores, cantores, escritores, pintores e apresentadores de televisão. Nomes como António Gedeão, Cândida Branca Flor, Carlos Paredes, Henrique Mendes, Maluda, Mário Cesariny, Raúl Indipwo e Cesário Verde, mas também Vasco Santana, Fernando Maurício, Raul Solnado, entre muitos outros. Nos Prazeres estão sepultados, no Talhão dos Artistas, alguns dos maiores nomes da cultura portuguesa.

Estiveram também sepultados neste cemitério Aquilino Ribeiro e Amália Rodrigues, que foram entretanto trasladados para o Panteão Nacional.

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